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Menos indústria, mais natureza

Sem metais pesados, parabenos e outras substâncias tóxicas, sobram extratos naturais e mais saúde. Conheça a nova geração de produtos naturais, orgânicos e veganos

07/07/2019 02:15:05
FORTALEZA, CE, BRASIL. 03-07-2019: PAUSE: Cosmética Natureza. (Fotos: Deísa Garcêz/Especial para O Povo)
FORTALEZA, CE, BRASIL. 03-07-2019: PAUSE: Cosmética Natureza. (Fotos: Deísa Garcêz/Especial para O Povo) (Foto: Deísa Garcêz/ Especial para O Povo/Deísa Garcêz/ Especial para O Povo)

Lauril éter sulfato de sódio, triclosan, petrolatos, silicones, parabenos e metais pesados: os termos, outrora esquecidos entre as aulas de Química da escola, estão cada vez mais presentes no cotidiano de quem almeja estabelecer uma outra relação com os produtos corporais utilizados na rotina. Cerca de nove mil tipos de ingredientes são empregados na confecção dos cosméticos e itens de higiene; desses, diversos são responsáveis por alergias, obstrução de poros, envelhecimento precoce, intoxicações e até doenças graves. A cosmetologia natural, movimento já consolidado na Europa e crescente no Brasil, apresenta-se como uma alternativa acessível, sustentável — e, sobretudo, saudável.

Presentes em desodorantes, sabonetes, maquiagens, esmaltes, perfumes, cremes, condicionadores, shampoos e outros cosméticos, inúmeras substâncias químicas utilizadas pela indústria da beleza são nocivas ao maior órgão do corpo humano: a pele. "Esses elementos atuam como disruptores endócrinos em nosso corpo. O que é isso? São substâncias que se ligam aos receptores das nossas glândulas hormonais e impedem o funcionamento delas", explica a médica nutróloga Ingrid Serafim. "Existem casos de hipotireoidismo e outras doenças da tireoide relacionadas com o uso desses materiais que têm nos cosméticos, por exemplo. Observamos também casos de endometriose em mulheres e infertilidade ligados aos metais pesados existentes nesses produtos. Hoje eu uso e recomendo os cosméticos orgânicos, livres de parabenos, níquel, chumbo, alumínio…", enumera.

A conservação, a fragrância, a textura e até a duração dos cosméticos convencionais na pele são responsabilidade dos sulfatos, parabenos e metais pesados. A espuma, por exemplo, é produzida pelo lauril. "Mas essas são substâncias químicas que o corpo humano não produz. Uma vez que elas entram em nosso corpo, não temos como eliminar e elas se acumulam", continua Ingrid. A lógica dos cosméticos livres é outra — da concepção ao resultado final. Proprietária da marca Cativa Natureza em Fortaleza, Alana Parente assegura que a transição para a cosmetologia natural é transformadora. "No início, quem não está acostumado ou quem não conhece esses cosméticos livres demora mais a se adaptar porque não faz tanta espuma, a textura é outra. Mas, quando começa a usar, percebe a diferença rápida e quase que instantânea porque nossa pele também é orgânica", defende. Com cerca de 130 produtos, a Cativa oferta cosméticos naturais — ou seja, sem aditivos químicos em sua composição —, orgânicos — com pelo menos 95% de matérias-primas certificadas como orgânicas e também veganos — sem ingredientes e testes em animais. Além disso, a marca possui uma política de reciclagem das embalagens. "O cearense está mais consciente em relação ao que ele passa no corpo e ao que ele come. A gente nutre a pele como se nutre com alimentos", pontua.

Nas mãos dos alquimistas naturais, os elementos químicos tóxicos são substituídos por óleos essenciais e bases vegetais — um processo que culmina também em uma conscientização socioambiental. Vegetariana desde 2012, a artesã Laura Colares aderiu à cosmetologia natural quando viajou para a Chapada dos Veadeiros naquele ano. "É o que tem de melhor para o corpo e para o meio-ambiente. Na minha pele, senti uma mudança no toque, no brilho, na saúde mesmo. Eu tinha alergias que sumiram quando passei a usar sabonetes naturais", partilha. Após cursos na área, ela fundou a marca Calêndula Cosméticos Naturais em 2014. "Todos os meus produtos são feitos com manteigas e óleos vegetais, argilas e temperos para colorir", explica. No lugar de corantes artificiais, Laura tinge os sabonetes com açafrão, óxidos de ferro e minerais.

Para Ely Costa, utilizar produtos livres representou uma reconexão com o mundo. "A minha família sempre usou plantas e frutas para cuidar da saúde. Com o desenvolvimento econômico do País, criou-se a ideia de que os melhores produtos são os industrializados. Usar cosméticos naturais foi como voltar para casa. A minha sensação é que nossa sociedade é doente é porque a gente se afasta da natureza", pondera a aromaterapeuta em formação e proprietária da marca Veggieland Cosméticos Veganos. Muito se questiona sobre a duração desses produtos na pele e nos cabelos — mas o tempo do nosso corpo não atende aos formatos da indústria. "Como a gente vai descobrir o que funciona para cada um? Testando", garante Ely. A nutróloga Ingrid Serafim finaliza: "Quando você passa a usar um produto orgânico, a sua conduta é diferente. É uma questão de cultura e de hábito".

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Bruna Forte