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vida paralela à realidade

Terapeuta cognitivo comportamental, Eveline Rego analisa o cenário da idealização de vida perfeita e reposiciona o papel das redes no dia a dia

30/06/2019 02:22:10
Eveline Rego, Terapeuta Cognitiva
Eveline Rego, Terapeuta Cognitiva (Foto: Arquivo Pessoal)

Basta uma rápida clicada no Google para encontrar listas de pesquisas que destacam as redes sociais como a grande causadora de problemas mentais. Isso porque a idealização de viver a vida do outro é uma das causadora da depressão e ansiedade. Para falar sobre o assunto, conversamos com a Terapeuta Cognitiva Comportamental Eveline Rego.

"As redes sociais nos deram a oportunidade de criar uma vida paralela à nossa. Ali mostramos, muitas vezes, um personagem. E, com isso, o mundo virtual se destaca por ser egocêntrico, onde estamos muito mais voltados para nós mesmos do que para o outro. Mas devemos sempre lembrar que somos nós que fazemos as redes sociais e devemos nos tornar agentes responsáveis dela, devemos cuidar do nosso conteúdo e do que transmitimos ali", explica.

Eveline também pontua que um bom exercício para saber se a relação de estar perto virtualmente da vida do outro está fazendo mal é ponderar os prejuízos que passam a existir por conta disso. Deixar de participar de algo importante para ficar conectado nas redes pode ser o primeiro fator preocupante. Para ela, o olhar para a vida de outra pessoa nos traz emoções que passeiam entre o bom e o ruim.

"É despertado uma ansiedade maior, sintomas de tristeza que podem levar à depressão. As redes nos despertam muitas emoções boas, como alegria e empatia, mas ela também desperta emoções ruins. Uma delas é a inveja. Muitas vezes a inveja está ali, a gente não percebe e, a partir disso, podem começar os sintomas doentios", conta.

A profissional destaca que, além da depressão e ansiedade, outro grande problema despertado pela idealização de vida perfeita são os transtornos alimentares. A cultura da magreza ainda é forte nesse meio, que é o lugar onde a maior parte das mulheres buscam suas inspirações de corpos perfeitos.

"Eu acredito que há formas de encontrar um equilíbrio para estar conectado de forma saudável. O primeiro passo e o mais importante talvez seja entender que o virtual tem um papel importante nas nossas vidas, mas ele não é essencial. Esse pensamento é a primeira forma na qual encontramos o equilíbrio. Entender que podemos fazer deste espaço uma relação de troca, de saber mais rapidamente o que está acontecendo na África, por exemplo, mas que isso não é o essencial que temos para viver", finaliza.

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Magi, cantora (@magi.real)

Ser influenciadora hoje tem sido um papel cada vez mais delicado. A gente nunca sabe o que as pessoas estão passando. O cuidado na hora de falar e mostrar um assunto tem de ter o mínimo de atenção. Vivemos num impasse de querer não se importar tanto porque likes não definem o que gente é, mas que acabamos precisando por conta do nosso trabalho, no meu caso com a música. Então é algo que precisamos ter maturidade para lidar e colocar na balança.

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Palloma Pinheiro, nutricionista (@pallomaalbuquerq)

"Eu sempre posto fotos sensuais, do jeito que eu sou. Não me importo com o que vão pensar. Eu já cheguei a divulgar coisas nas minhas redes sociais das quais me arrependo muito, produtos que as pessoas não precisam estar usando. Mas serve de lição. Hoje eu sei muito bem o que falar quando as pessoas me perguntam sobre esse assunto, eu definitivamente não recomendo esse tipo de publicidade, não é legal influenciar dessa forma.

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Vanessa de Carvalho, jornalista (@vanessadecar_)

"Meu conteúdo é o meu dia a dia. Sair cedo e pegar o ônibus, passar o dia no trabalho e chegar tarde. Acredito que essa busca por "likes" seja uma métrica de vaidade que não diz muito sobre a influência de alguém. Acredito muito mais no engajamento do perfil. Na qualidade de pessoas que se interessam em saber como você resolve os problemas do dia a dia. Eu gosto de postar tudo, desde o vizinho que eu fico paquerando na janela, até um problema de saúde do meu pai"

O Povo