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Jornal

Air France-KLM: O Hub em Fortaleza também decola para a Ásia

Jean-Marc Pouchol, diretor geral Air France-KLM América do Sul, detalha o que se pode esperar dos voos na capital

16/10/2017 01:30:00
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Air France-KLM começa a embarcar e desembarcar em Fortaleza com ligação direta para Paris e Amsterdã a partir de maio. As vendas iniciam em novembro. O Nordeste como um todo será divulgado no Exterior. A intenção não é somente atrair europeus, mas também o mercado asiático. A aposta do Grupo franco-holandês é grande no Aeroporto Internacional Pinto Martins e na nova concessionária do equipamento, a alemã Fraport. Confiam ainda na decolagem da demanda no mercado de aviação brasileiro. Jean-Marc Pouchol, diretor geral Air France-KLM América do Sul, é quem detalha, nesta entrevista, o que esperar da operação do Grupo na Capital. Há possibilidade de aumento de frequência dos voos - são inicialmente três para Amsterdã e dois para Paris. No seu português misturado com francês, Pouchol ainda revela como é morar no Brasil há um ano e, sobre a Air France-KLM, diz: “temos a ambição de criar uma presença do Grupo muito forte em Fortaleza”. Aliás, terão escritório na Capital.


O POVO - Hoje o senhor mora no Brasil e é diretor geral Air France-KLM América do Sul. Por quantos países já passou?


JEAN-MARC POUCHOL - Eu fui contratado pela Air France, que, na época, era antes da fusão Air France-KLM. Há 17 anos comecei a trabalhar na França e até agora toda minha carreira foi mais focada nos temas comerciais. Eu trabalhei na matriz da Air France, agora Air France-KLM, em Paris. Também trabalhei fora da França, em Madri, na Espanha, durante quatro anos, como diretor comercial para Espanha e Portugal. Também fui para Estocolmo (Suécia) como diretor comercial para os mercados da Escandinávia e Finlândia, que são mercados bastante importantes para o Grupo, principalmente para a KLM, porque pela KLM temos muitos voos até a Dinamarca e Finlândia. E também depois fui o responsável, o diretor do programa Flying Blue, programa de fidelização dos clientes, também na matriz em Paris. Eu cheguei no Brasil há um ano e antes de chegar aqui eu estava trabalhando para o mercado francês como responsável pelas vendas que são feitas pelas agências de viagens.


OP - E qual a sua imagem do brasileiro? Como o europeu vê o Brasil?


POUCHOL - A imagem do Brasil na Europa é muito positiva. E é porque desfrutamos muito e queremos aproveitar o Brasil quando se abre rota para cá, que estamos convencidos do sucesso que serão os novos voos da Air France-KLM com o hub no Nordeste. No Brasil, o Rio de Janeiro tem uma notoriedade muito alta, (Foz do) Iguaçu também. E o Nordeste tem potencial muito alto. Temos muitos turistas aqui, mas sabemos que a região tem potencial de crescimento. Quando cheguei ao Brasil, em agosto do ano passado, a primeira coisa que os brasileiros me disseram com respeito ao mercado é que: ‘hoje estamos na crise, mas você vai ver, podemos ter recuperação muito rápida’. O que aconteceu, e acho que é uma verdade, no Brasil há um otimismo que não se vê na Europa. Sinceramente isso faz com que se possa recuperar o crescimento econômico muito rapidamente. É o que me chama atenção quando se trata de comparar Europa e Brasil: há otimismo.


OP - Como o senhor recebeu a notícia de que a Air France-KLM iria instalar um hub (centro de conexão de voos) no Nordeste?

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POUCHOL - Quero mencionar antes que nos mercados da América do Sul, particularmente o do Brasil, notou-se o início da recuperação da demanda. Entrei quando se avaliava a evolução da demanda entre Brasil e Europa. Há um ano já há uma recuperação da demanda. E ao longo do ano se notou uma recuperação mais forte. Então, eu diria que no início deste ano, 2017, começamos a estudar a possibilidade de investir ainda mais no mercado brasileiro, com o objetivo de participar na recuperação da demanda. Tivemos resultados cada vez mais positivos e ganhamos fatia de mercado no Brasil. Então, isso realmente contribuiu no estímulo de investir no País. A partir de novembro (2017) vamos aumentar para ambas as companhias, KLM e Air France, nossa oferta de voos no Brasil em 13% (Rio de Janeiro e São Paulo). Quando analisamos nosso desempenho no mercado brasileiro, vemos que temos presença muito forte em São Paulo e Rio de Janeiro, também no Sul do Brasil e no Centro do Brasil, mas nos falta presença no Norte e Nordeste. Quando você mora em Belém, não é totalmente natural descer até São Paulo ou Rio de Janeiro para depois subir para a Europa, do ponto de vista geográfico. Então, foi com isso que começamos a pensar em criar uma nova rota no Nordeste do Brasil, mas desde o início foi um projeto em conjunto com a Gol, porque do ponto de vista comercial, sem a alimentação dos voos, não seria sustentável. Hoje temos quase 25% dos clientes Air France-KLM fazendo conexão com a Gol. Então, já temos uma parceria que dá certo e é por isso que queremos dar um passo adiante em Fortaleza. Esse projeto de Fortaleza é importante, porque ele não é só para o Ceará, para Fortaleza, mas é para aumentar nossa presença no Norte/Nordeste do Brasil. Vamos ajustar, combinar os voos, para que seja muito fácil ir de Belém ao Ceará, fazendo conexão em Fortaleza. O mesmo de Salvador... Espero que seja muito mais simples, em comparação com hoje, para ir desde a Alemanha, por exemplo, até Salvador, fazendo conexão em Fortaleza.


OP - O que foi determinante para escolher a Capital cearense e qual cidade (Salvador e Recife), na disputa pelo hub, foi a que ameaçou Fortaleza?

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POUCHOL - Não teve isso de cidade chegar mais perto... Levamos em consideração a localização geográfica no Brasil - a distância entre Europa e Fortaleza. Também se levou em consideração a localização no Brasil para organizar com a Gol esse hub no Brasil. Também se analisou o potencial local, porque precisamos do dinamismo da economia, da demanda local. O último critério foi o potencial de crescimento... O aeroporto nos assegurar que podemos realmente montar esse tipo de organização, de hub com a Gol. Então, quando se consideraram todos esses criterios, digamos que tivemos um bom problema em nossas mãos. A cidade escolhida foi Fortaleza, mas Salvador e Recife também tinham todos os critérios. Mas, ao final, quando se combinam todos os critérios, vimos um pouco mais de potencial com a opção de Fortaleza.


OP - De que modo o Ceará vai ser vendido na Europa?


POUCHOL - O objetivo agora vai ser de fomentar, promover os destinos do Norte/Nordeste, especialmente do Nordeste na Europa e também na Ásia. Quando começarmos os voos, para ir de Beijing (China) até Fortaleza seremos a melhor opção. Esse projeto vai ter fluxo de turistas não só da Europa, mas também Oriente Médio... Ásia... Vamos organizar promoções, vamos comunicar sobre o Nordeste nesses países. Já começamos! Na semana passada (última semana de setembro), aconteceu, em Paris, o equivalente da feira que se chama Abav (Abav Expo Internacional de Turismo - da Associação Brasileira de Agências de Viagens) aqui em São Paulo, que reúne todas as agências de viagem. Isso aconteceu em Paris na semana passada e comunicamos muito sobre a abertura dessa nova rota e de todo o potencial que a partir de maio do ano que vem começaremos.


OP - Como o senhor, na condição de turista, avalia o mercado turístico no Ceará?


POUCHOL - Eu, como turista, acho que há potencial incrível para o Ceará, para o Nordeste. Já estou aqui há um ano e já fui para o Ceará em julho passado. Fui para visitar Jericoacoara. Depois fui visitar os Lençóis Maranhenses. Acho que vai ser um sucesso total para os turistas europeus. São tão incríveis as paisagens que temos no Nordeste. Só o que devemos fazer é comunicar um pouco mais. Porque, hoje, cada vez mais, na França, ou nos Países Baixos (Holanda), na Europa, conhece-se Fortaleza, mas devemos comunicar ainda mais para nos assegurar que todos os franceses, neo-holandeses, poderão colocar Fortaleza, Recife, Lençóis Maranhenses no mapa do mundo.

Pessoalmente, adorei minhas férias em Jericoacoara. Mas precisamos lembrar que este projeto não é só para o lazer, mas também para negócio. Vamos fazer todo o possível para desenvolver o turismo e também os negócios.


OP - Como pensam na estrutura do hub, quantos fingers (pontes de embarque) vão precisar?


POUCHOL - Já tivemos discussões com a Fraport e agora vamos passar a uma fase mais concreta. Vamos lançar grupos de trabalho para desenhar. Devemos, seis meses antes do primeiro voo, que lançaremos em maio, inaugurar grupos de trabalho muito concretos com a Fraport para preparar tudo isso, mas estamos convencidos que o trabalho de Fraport em conjunto com Air France-KLM, em conjunto com a Gol, vai montar um hub muito importante. A ambição da Fraport faz pensar claramente que vamos desenhar juntos um produto muito adequado para os viajantes. Vai existir demanda de estrutura, mas tudo vai ser conversado nesse grupo de trabalho. Para um cliente que vai sair de Brasília fazer conexão em Fortaleza e ir para Paris, veremos como organizar mossas operações no aeroporto, para que seja mais simples para este cliente fazer uma conexão. Isso significa que teria uma porta de desembarque muito perto da porta de embarque.


OP - Caso os voos em Fortaleza se consolidem, há expectativa de novas rotas além de Paris e Amsterdã?


POUCHOL - Não, porque o conceito de Air France-KLM é servir os dois hubs que temos na Europa, que são Paris e Amsterdã. Pensamos que mais ou menos 50% dos clientes que vão chegar em Amsterdã e Paris vão fazer uma conexão. A metade vai desfrutar da malha de Europa da Air France-KLM para ir até o destino final na Itália, Alemanha, Escandinávia, Espanha, Ásia, etc. Depois, em Fortaleza, temos a parceira Gol, que aumentará os voos. Inicialmente são cinco frequências, sendo duas de Air France para Paris e três de KLM para Amsterdã. Já vamos começar com cinco voos semanais. Geralmente quando iniciamos nova rota, começamos com três voos semanais.

Vamos começar já com cinco voos. A ambição, efetivamente, é crescer.

Mas o ritmo desse crescimento depende do sucesso dessa rota. Queria mencionar que é a primeira vez na história do Grupo Air France-KLM que vamos começar com as duas companhias ao mesmo tempo juntos.

O que se faz geralmente é começar com a Air France e depois avaliar a possibilidade de um ano depois acrescentar ou não a outra companhia, KLM ou Air France. Também é a primeira vez que vamos começar com as duas companhias, KLM e Air France, junto com uma parceira, no caso, a Gol.


OP - O senhor espera que o voo tenha sucesso em quanto tempo para aumentar número de frequências?


POUCHOL - Isso vai depender da evolução das vendas. Três meses antes do primeiro voo (maio) já teremos orientação de número de vendas.


OP - Quando será permitido reservar passagem?


POUCHOL - Vamos começar as vendas daqui a um mês (novembro), estamos aguardando autorizações das autoridades. Desde o início poderemos vender as conexões com a Gol.


OP - E sobre a nova companhia Joon... Ela deve atrair público mais jovem, que tem renda menor. Isso não fragiliza a operação dos voos?


POUCHOL - É importante dizer que esse projeto vai ter operações da Air France. Tudo que se refere à comercialização, distribuição das passagens, reconhecimento dos clientes Flying Blue... Tudo isso vai ser Air France. Teria um fretamento da companhia Joon. Mas aqui no Brasil vamos comercializar e a propaganda, por exemplo, quem vai fazer será a Air France. Depois, efetivamente, é verdade que teremos uma operação Air France com voo efetuado pela companhia Joon. Também é importante destacar que a companhia Joon vai ter o mesmo padrão que a companhia Air France. Teremos cabine executiva, intermediária e econômica. Os assentos na aeronave serão da Air France. E a Joon não se trata de companhia low cost (baixo custo). Verdade que terá a ambição das aeronaves Joon de ser um pouco inovador. Será possível testar coisas que depois poderemos estender à Air France. A Joon terá uma identidade própria. Poderá ser um laboratório para provar coisas em termos de inovação para os clientes. Por exemplo, em relação à de oferta de produtos a bordo, em termos de entretenimento, o que faremos em termos de vendas por meio do digital, esse tipo de coisa...

Mas vamos divulgar em pouco mais de detalhes nos meses que vêm.


OP - O senhor acredita que há espaço para outros hubs no aeroporto de Fortaleza como da Latam?


POUCHOL - Estamos muito confiantes no sucesso dessa operação que vamos montar lá em Fortaleza. Não vou falar da concorrência, mas temos a ambição de criar uma presença do Grupo muito forte em Fortaleza.


OP - Arquitetos e urbanistas falam que, no futuro, será preciso criar um aeroporto fora da Capital. Como o senhor enxerga a capacidade do Aeroporto?


POUCHOL - Temos no aeroporto de Fortaleza toda a ferramenta adequada para operar lá, para atender nossa ambição. Estou confiante hoje e para o futuro, que, no aeroporto de Fortaleza, temos a ferramenta adequada.


OPOVO - Haverá geração de vagas de emprego em Fortaleza?


POUCHOL - Com certeza levamos empregos. Isso vai desenvolver novos cargos no aeroporto, diretos e indiretos. Quando se abre nova rota são muitos cargos indiretos que se levam. Ainda não temos ideia dos números, mas são muitos. Não só em Fortaleza, no Ceará, mas também em Pernambuco, Bahia. Os estados ao redor de Fortaleza, que vão desfrutar dessa rota, serão beneficiados.


OP - E o senhor já pensou em vir para Fortaleza? Já considera que domina a língua portuguesa?


POUCHOL - Olha, seria muito bom ficar aí perto da praia (risos), mas estamos aqui em São Paulo. Temos uma ligação muito alta, com muitas reuniões, com a Fraport. Somos vizinhos aqui em São Paulo, estamos em prédios próximos. Isso vai facilitar também toda a comunicação que teremos. Agora, quanto ao idioma, foi muito fácil aprender (risos). Na verdade não é fácil. Mas eu adoro aprender novos idiomas. É muito agradável. Adoro a cultura do Brasil também. Para um europeu é bastante diferente e ao mesmo tempo é bem próximo... Perto da cultura francesa. Eu morei em Estocolmo. Eu, pessoalmente, acho que a diferença de cultura era maior entre Estocolmo e França que entre Brasil e França. Porque Brasil e França temos uma ligação latina. Temos bastantes pontos semelhantes. Isso facilitou a integração minha, a integração no País. Adoro as comida... as bebidas (risos)... Gosto de tudo. Das paisagens, de passar por Fortaleza, Jericoacoara, Lençóis Maranhenses. É uma diversidade muito agradável aqui. 

 

Perfil

 

Jean-Marc Pouchol, diretor geral Air France-KLM América do Sul, frequentou de 1987 a 1990 a EDHEC Business Schooll - especializada em negócios, possui campi em Paris, Londres, Lille, Nice e Singapore.

Mora há um ano no Brasil, em São Paulo. Foi contratado pela Air France, na França, há cerca de 17 anos, antes da fusão com KLM.

Trabalhou em países como Espanha e Suécia, sempre exercendo cargos voltados para a área comercial.


PERGUNTA DO LEITOR


Adalberto Febeliano, especialista em transporte aéreo


FEBELIANO - Quando os voos da Joon em Fortaleza iniciarem, haverá alguma coordenação de horários com a Gol para atender os mercados do Sul e Sudeste, além do Nordeste, ou o foco é Norte e Nordeste?


POUCHOL - Vamos começar com Norte e Nordeste e também teremos conexões com Brasília na primeira fase. Depois a missão vai ser a de acrescentar número de voos da Gol, conectando com a companhia Air France-KLM. Pouco depois vamos crescer e acrescentar número de voos. Terá uma opção de incluir Sul e Sudeste. Essa primeira fase é algo que vai se regular. No setor aéreo trabalhamos com estações.

Temos a de inverno e a de verão e a cada estação mudamos o programa de voo.

 

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Beatriz Cavalcante

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