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Enem digital: possibilidades e entraves

12/07/2019 02:21:33
Eloisa Vidal -Doutora em Educação e professora da Uece
Eloisa Vidal -Doutora em Educação e professora da Uece (Foto: O POVO)

A notícia da aplicação do Enem digital a partir de 2020 tem causado apreensão nos futuros candidatos e nos especialistas. Aplicar uma prova digital num exame que vem se caracterizando, ao longo do tempo, como um concurso público, pois em parte dos concorrentes pleiteiam uma vaga numas das Instituições de Ensino Superior Públicas - federais, como as Universidades e os Institutos e estaduais -, causa preocupações, entre elas:

1)Existe tecnologia para este tipo de aplicação. Até o momento é uma tecnologia cara, porque para preservar a segurança, seria necessário cabine isolada e algum mecanismo seguro de identificação digital para evitar a burla de identidade do candidato.

2)Banco de questões. A Teoria de Resposta ao Item (TRI) permite comparação entre provas; a questão é o tamanho do acervo de questões para este tipo de aplicação digital, que precisaria ser muito maior do que o que se tem atualmente no Banco Nacional de Itens do Inep. No Enem digital, por segurança e lisura, cada aluno deve fazer uma prova diferente. E a questão, uma vez usada, não pode ser reaproveitada.

3)Locais de aplicação. Considerando a quantidade de pessoas que se submetem ao Enem, como será a logística de definir pontos de aplicação com o nível de segurança desejado e necessário, internet acessível e com capacidade de baixar vídeos, rodar animações e mostrar infográficos? Tais condições existem em pouquíssimas cidades do Interior, por exemplo. Isso pode levar a centralização do exame em grandes cidades e consequentemente, a exclusão de parcela expressiva de candidatos.

4)Custos. Precisa mensurar a capacidade instalada para aplicação deste tipo de prova (em que locais existe e a quantidade disponível). Construir a logística de uma aplicação digital com segurança e capilaridade, certamente sairá muito mais caro que a realização do Enem impresso.

Existem muitas outras questões não discutidas aqui, como o fato de seis anos de convivência dos dois modelos criarem situações de desigualdades na aplicação de uma prova, que para muitos é um concurso. O aluno que faz uma prova numa sala com mais 40 pessoas, sem ar condicionado e manipulando papel é completamente diferente de uma pessoa que faz uma prova num computador pessoal e com sala climatizada, o que produz diferença no desempenho individual. n

 

Eloisa Vidal