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Democracia e redes sociais

12/07/2019 02:21:45
Edilberto Carlos Pontes Lima 
Presidente do TCE Ceará e autor do livro Curso de Finanças Públicas: uma abordagem contemporânea 
pontes.lima@uol.com.br
Edilberto Carlos Pontes Lima Presidente do TCE Ceará e autor do livro Curso de Finanças Públicas: uma abordagem contemporânea pontes.lima@uol.com.br (Foto: Edilberto Carlos Pontes Lima )

As redes sociais foram saudadas como uma ótima notícia para a democracia. Elas permitiriam uma interação mais intensa entre os cidadãos, possibilitando a troca de informações, o debate de ideias e um controle mais próximo das ações dos governantes. Além disso, a capacidade de mobilizar para expressar insatisfações, criticar políticas e manifestar apoios atingiu patamares sem precedentes. Nos cenários mais otimistas, as redes sociais viabilizariam vários mecanismos de democracia direta.

Nessa toada, ditaduras têm sido contestadas, protestos têm sido organizados e governos autocráticos sofreram fortes abalos, em movimentos difíceis de conter. Mas, da mesma forma que a democracia tradicional tem muitos problemas, nem tudo são flores aqui. Os gregos já advertiam para os riscos da demagogia, dos falsos argumentos, levando os eleitores a escolhas equivocadas.

As redes sociais são territórios praticamente livres, com controles quase inexistentes. Não há os filtros dos sistemas tradicionais de mídia. O que inicialmente foi visto de maneira positiva, porque representava uma forma de descentralizar o poder da comunicação, terminou por trazer riscos e perigos incalculáveis. É que se elas têm servido para contestar a corrupção, o autoritarismo e para exigir democracia, também são utilizadas para manipulação, disseminação de notícias falsas, estímulo ao populismo e para alimentar conceitos e concepções que já se imaginavam superadas no atual patamar civilizatório em que nos encontramos. Nesse sentido, proliferam defesas de racismo, homofobia, apoio a governos autoritários. Lideranças fortemente conectadas com esses valores passam a exercer cada vez mais influência e poder.

O remédio clássico da democracia contra seus inimigos sempre foi paradoxal: mais democracia, mais abertura, mais transparência. É a crença de que os bons argumentos, os melhores valores acabam por prevalecer. É cedo para afirmar que esse antídoto vai funcionar para as redes sociais também. Mas parece não haver alternativas viáveis, uma vez que as tentativas de regulação foram malsucedidas até aqui. n

Edilberto Carlos Pontes Lima

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