PUBLICIDADE
Jornal
VERSÃO IMPRESSA

Ser ambiental também é negócio

03/07/2019 06:34:55
Beatriz Cavalcante
beatrizcavalcante@opovo.com.br
Jornalista do O POVO
Beatriz Cavalcante beatrizcavalcante@opovo.com.br Jornalista do O POVO (Foto: )

O acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que vinha sendo desenhado desde meados de 1990 e foi assinado no governo Bolsonaro (PSL), ainda tem muito caminho a percorrer para ser aprovado, mas é ponto positivo. Mesmo que ainda não esteja valendo, é uma carta na manga para a negociação da entrada do País na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), como o governo brasileiro tanto deseja, mas perdendo uma série de privilégios de nações em desenvolvimento.

Porém, para ser aprovada, a negociação precisa do aval de todos os países do bloco e ser ratificada pelo parlamento europeu. É por este fato que, por outro lado, não se pode cantar vitória. Principalmente porque o Brasil, com maior representatividade no Mercosul, vem numa política de discursos e atos nada ambientais.

E além de temer os impactos no agronegócio com a entrada de produtos do Mercosul, a França olha torto para as práticas sul-americanas frouxas. Dos frangos produzidos por aqui, por exemplo, muitos são a base de antibióticos e hormônios. Enquanto a rigidez no controle da produção europeia apenas aumenta e tem um peso político muito grande.

Os compromissos brasileiros contra o desmatamento da Amazônia terão de ser respeitados para que o país europeu mais resistente, a França, pense em aceitar a abertura comercial entre os blocos. O Acordo de Paris, que também tem o objetivo de reduzir a emissão de gases de efeito estufa, e que é visto como besteira por muitos brasileiros, é levado bem a sério pelos membros da União Europeia.

Apesar de Bolsonaro ter afirmado que não sairá do Acordo de Paris, do qual é signatário, suas declarações em seis meses de mandato foram contrárias. Inclusive logo após as eleições ele cogitou deixar a participação do País, o que gerou tensão com França e Alemanha.

Além disso, há hoje um desmonte da estrutura de fiscalização e da legislação ambiental no Brasil, que possibilita desmatamento maior. O cadastro ambiental rural da Amazônia, por exemplo, teve o prazo extinguido por medida provisória editada pelo presidente em junho. O País também lidera número de mortes de ambientalistas. Foram cerca de 250 agrotóxicos aprovados, alguns até proibidos em outros países. É preciso, portanto, seguir o que muitas empresas, até mesmo brasileiras, já fazem e pensam no ambiental não como empecilho, mas como passo para gerar riqueza. 

Beatriz Cavalcante