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Compliance: o tom que vem do topo

24/06/2019 01:33:50
Juliana Guimarães
Superintendente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec)
Juliana Guimarães Superintendente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) (Foto: Juliana Guimarães)

Vivemos um momento divisor de águas da existência humana. Ou nos consertamos ou descambamos definitivamente. A esperança de um mundo melhor não é uma utopia juvenil, e ela se agiganta quando se percebe o interesse obsessivo do mundo pelo compliance. O Estado falhou miseravelmente na transformação da realidade social e transferiu para as empresas a carga de responsabilidade sobre pessoas, meio ambiente e redução da miséria.

O chamado capitalismo consciente suporta papeis muito além da tradicional geração de caixa, os quais estão sendo efetivamente exigidos. E empresas atentas ao impacto dessas transformações veem no compliance o caminho possível para a perenidade. Mas pessimistas dirão: o interesse empresarial no tema envolve segundas intenções, não é genuíno, mira no inarredável vil metal.

Pois bem, mais força ganha o argumento, já que se empresas se valorizam e lucram mais por serem éticas e socialmente responsáveis, significa que mais e mais pessoas (seres humanos, indivíduos, cidadãos) se interessam por empresas íntegras. Bingo! Um círculo vicioso que pode, sim, transformar o mundo para melhor, suplantando o cenário apocalíptico desenhado por especialistas.

Empresas são feitas por pessoas, que são conduzidas por líderes, que têm papel e responsabilidades tão sublimes quanto árduos: dar o exemplo. O exemplo arrasta, envolve, conduz e cristaliza comportamento. E não há, em absoluto, a possibilidade de não contaminação. E essa missão não é suave e nem linear, exige esforço e muita firmeza emocional.

A célebre frase de Joseph-Marie Maistre "cada povo tem o governo que merece" é mais atual do que nunca e o sinal dos tempos sugere, com boas probabilidades, que o mesmo ocorrerá com as empresas. Consumidores, investidores, stakeholders, shareholders, aqueles que efetivamente mandam nas empresas, não aceitarão líderes destituídos de valores sólidos, empatia e interesse em garantir que missão, visão, e valores não serão meras placas penduradas no hall de entrada das empresas. 

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Juliana Guimarães