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Arma de fogo é solução?

14/06/2019 01:32:23
Luís Eduardo Girão
Senador eleito pelo Pros
eduardogiraooficial@gmail.com
Luís Eduardo Girão Senador eleito pelo Pros eduardogiraooficial@gmail.com (Foto: Divulgação)

O Brasil vive uma profunda crise na segurança pública, e estamos em meio a um grande paradoxo: somos um dos países mais violentos do mundo e, ao mesmo tempo, um dos mais cristãos. Aqui se mata mais do que na Síria, país em guerra civil há anos. São mais de 60 mil assassinatos por ano, e mais de 70% desses provocados por armas de fogo. Depois de edição dos decretos presidenciais, que libera o porte de armas, o Senado Federal foi chamado a se posicionar com urgência.

Segundo estatísticas oficiais, mais de 120 mil vidas foram poupadas desde 2003, início da vigência do Estatuto do Desarmamento. Os defensores do decreto dizem que é preciso armar os cidadãos porque a segurança pública está falida. Segundo o Centro de Política sobre Violência dos EUA, para cada reação defensiva bem-sucedida com arma de fogo, em outras 34 vezes uma arma é utilizada para homicídio. Além disso, em qualquer ataque violento, o cidadão de bem armado estará sempre em desvantagem, em virtude do fator surpresa, que é do criminoso, e a sua arma acaba migrando e fortalecendo o crime.

Quanto mais armas, mais violência, mais mortes. Segundo o Ipea, para cada 1% de aumento do número de armas em circulação, a taxa de homicídios aumenta em 2%. O fácil acesso vai perigosamente aumentar índices de homicídios por motivos fúteis, como em conflitos de trânsito, brigas em bares ou desentendimentos domésticos. A única saída para essa gravíssima crise é a reestruturação da segurança pública com apreensão de armas ilegais, controle do tráfico nas fronteiras, fortalecimento das polícias e repressão do crime.

Num País onde mais de 80% da população se declara cristã, é fundamental recordar o posicionamento claro e firme de Jesus sobre esse assunto: "Amai os vossos inimigos e fazei o bem aos que vos odeiam"; "Todos os que empunham a espada, pela espada morrerão"; "Bem-aventurados os mansos" e "os pacificadores"; "Não resistais ao mal".

Ao inaugurar uma saudação pessoal invocando a paz, o Mestre apresenta qual o roteiro para o processo civilizatório da humanidade. Os verdadeiros cristãos precisam ousar e retirar a letra "R" da palavra "arma", que nos remete à ideia de reação, e entrarmos no universo de possibilidades da palavra "ama", que nos permite uma ação ascendente em direção à uma condição divina de filhos de Deus. 

 

Eduardo Girão