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O conhecimento deixa de ser prioridade

10/06/2019 05:25:45
Henry de Holanda Campos
Reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC)
Henry de Holanda Campos Reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC) (Foto: Jr. Panela/UFC)

É consenso, na sociedade moderna, que a educação constitui a base de todo projeto consistente de desenvolvimento social e econômico. Se quisermos tirar o Brasil da periferia e redimensionar sua projeção geopolítica mundial - o que supõe estabilidade política e econômica, com justiça social e uma saudável distribuição de riquezas - não existem alternativas, senão investindo nessa poderosa ferramenta que é o conhecimento.

Quem gera conhecimento, no Brasil, são as universidades públicas, responsáveis por mais 95% da produção científica do País. São instituições como a Universidade Federal do Ceará, que, recentemente, despontou como a universidade brasileira com a maior proporção de artigos, entre os 10% mais citados no mundo. Cabe, aqui, lamentar o nível de desinformação do presidente da República, que, em entrevista à rádio Jovem Pan, no dia 8 de abril, disse textualmente: "...poucas universidades têm pesquisa e, dessas poucas, a grande parte tá na iniciativa privada, como a Mackenzie, em São Paulo, quando trata do grafeno".

De certa forma, as palavras de Sua Excelência aclaram sobre a forma como o Governo tem tratado as universidades, desde o início da nova gestão. Explicam, por exemplo, o golpe mortal aplicado contra essas instituições, ao subtrair importante parcela em suas dotações orçamentárias.

A desinformação, as contradições, tudo tem gerado um ambiente de incerteza e revolta na comunidade acadêmica. No dia 30 de abril, o ministro Abraham Weintraub informou que o MEC cortaria 30% do orçamento das universidades que promovem "balbúrdia" em seus campi, citando, na ocasião, a Universidade de Brasília (UnB), a Federal da Bahia (UFBA) e a Federal Fluminense (UFF). No dia seguinte, a informação era de que o corte atingiria todas as instituições.

É a ausência de critérios e de diálogo que torna mais amedrontadora a postura do Governo diante das instituições federais de ensino superior, vistas, a priori, como território inimigo. Qual é mesmo o rumo do Governo? Para onde aponta a bússola das novas prioridades? No momento em que as universidades federais são golpeadas em seu orçamento e afrontadas em sua autonomia, fica bem clara a ausência de um projeto para a ciência, a tecnologia e a inovação. E isso é péssima sinalização para um País que precisa crescer e para um povo que clama por dignidade. 

 

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Henry de Holanda Campos