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Dias de paz e música

10/06/2019 05:25:49
Marcos Sampaio
marcossampaio@opovo.com.br
jornlaista do O POVO
Marcos Sampaio marcossampaio@opovo.com.br jornlaista do O POVO (Foto: )

Em 15 de agosto desse ano, celebram-se os 50 anos do evento que marcou de vez a história da contracultura. O Festival de Woodstock pode ser resumido como uma sucessão de erros bem orquestrados pelo acaso, que resultou num acerto imprevisível. Realizado por jovens e inexperientes empresários, o espetáculo tornou-se inesquecível pelos erros, mais do que pelo que estava previsto.

E o imponderável começou a trabalhar antes mesmo de soar o primeiro acorde. A ideia nunca foi montar um festival gratuito. Pelo contrário, os ingressos custavam US$ 18 e a expectativa era atrair cerca 200 mil pessoas. Mas, mais de meio milhão de malucos das mais variadas espécies resolveu aparecer na fazenda que não tinha um pingo de estrutura pra receber tanta gente. O resultado: calamidade pública, falta de água e comida, congestionamentos quilométricos com direito a gente abandonando seus carros pra seguir a pé.

No meio daquela turba, a maioria resolveu derrubar as grades pra entrar de graça. Assim, o Woodstock tornou-se um evento gratuito cuja aura de liberdade absoluta foi muito bem capitalizada por seus organizadores. Imbuídos do espírito hippie que fazia a cabeça de boa parte daquela multidão, eles resolveram deixar de lado o lucro imediato e apostar que teriam nas mãos um evento histórico.

E tiveram. Mais uma vez o acaso ajudou. As grandes estrelas da época - Beatles, Stones, Led Zeppelin, Bob Dylan - recusaram o convite, mas os que aceitaram ofereceram o melhor que tinham. Joe Cocker e Santana tinham estreado em disco naquele ano, assim como Janis Joplin que iniciava carreira solo. The Who apresentaram ali Tommy, seu projeto mais ambicioso. Só Jimi Hendrix já era gigante, mas ele já nasceu assim. O fato é que até os gigantes saíram maiores daqueles três dias de "exposição aquariana".

Tragédias também aconteceram, como morte por overdose, casos de aborto, abusos de drogas e um caos sem precedentes na pequena cidade de Bethel, onde tudo aconteceu. Mas o que entrou para a história foi o banho de chuva, a liberdade dos corpos e o sonho de que o mundo poderia ter uma consciência maior sobre a paz e o amor. 

 

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Marcos Sampaio