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Meio ambiente: e eu com isso?

05/06/2019 01:30:37
João Bosco Priamo Carbogim
Presidente da Fundação Brasil Cidadão
João Bosco Priamo Carbogim Presidente da Fundação Brasil Cidadão (Foto: Acervo pessoal)

Na Semana do Meio Ambiente, temos pouco a comemorar e muito a lamentar. Se de um lado inúmeras instituições da sociedade civil acumulam conhecimento e ações efetivas de proteção ambiental, de outro governos e segmentos econômicos se empenham para invalidar as conquistas transformadas em legislação.

Do poderoso lobby do agronegócio à indiferença da maioria dos cidadãos, o patrimônio natural vai sendo gradativamente dilapidado em nome do progresso e do lucro a qualquer preço.

O pior é que o Brasil não é um caso isolado, mas se insere numa crescente tendência mundial. Em pesquisa em todo o planeta, cientistas de várias universidades, sob a coordenação da ONG Conservação Internacional, analisaram os retrocessos nas políticas de conservação ambiental, intensificados nas últimas décadas e liderados, exatamente, por Estados Unidos e Brasil, antes considerados campeões da causa.

No Brasil, atolado na lama do descaso e dos interesses econômicos, o desmonte da legislação ambiental prenuncia desastres ambientais ainda mais graves com a perda das reservas florestais e da biodiversidade, colocando em risco o próprio agronegócio.

A senha para potencializar o desastre está na MP 867, criada no governo anterior, que tratava da regularização de propriedades às normas do Código Florestal Brasileiro. Em vigor desde 26 de dezembro de 2018, a medida precisa ir à Câmara e Senado para não perder a validade. Além de colocar em cheque a obrigação de recuperação de áreas já desmatadas, a MP 867 vai anistiar proprietários que não se enquadrarem às exigências do Código. Um prêmio aos infratores.

Com a flexibilização das normas, estima-se a perda de 4 a 5 milhões de hectares de área que deveria ser recuperada, o que deixará o Brasil longe da meta assumida no Acordo de Paris, que é de recuperar 12 milhões de hectares de áreas nativas até 2030.

E eu com isso? Boa pergunta. Se assistirmos de braços cruzados a estupidez e ganância humanas acabarem com a natureza, pagaremos o mesmo preço que pagaram as sociedades que não respeitaram o seu meio ambiente e acabaram extintas. 

 

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João Bosco Priamo Carbogim