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A UFC e a voz da maioria

03/06/2019 02:23:22

Ainda que se reconheça que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) tem a prerrogativa legal de escolher o próximo ocupante do posto de reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), é saudável para a instituição que o chefe da nação acolha a vontade da comunidade acadêmica, expressa majoritariamente em duas etapas de votação - uma consultiva e outra decisiva.

Ora, ao mandatário do País cumpre a tarefa constitucional de designar o nome do gestor que sucederá a Henry Campos, atual reitor, pinçando-o de uma lista composta por três postulantes, os quais foram escolhidos numa eleição realizada pela instância máxima da UFC, o Conselho Universitário (Consuni).

De ambas as fases emergiu, com ampla vantagem numérica, o candidato Custódio Almeida, atual vice-reitor, a quem se seguiram Cândido Albuquerque e Maria Elias Soares. São esses os nomes que integram a lista agora sob a análise de Bolsonaro.

O ideal, reitera-se, é que o presidente pondere essa escolha, priorizando fatores técnicos e livrando-a de qualquer espécie de ranço político que possa cercar tal decisão. Para tanto, convém primeiro observar atentamente como se comportou a maior parte do corpo de docentes, discentes e servidores técnico-administrativos da UFC na consulta feita em 8 de maio e na reunião do Consuni, no dia 20 do mesmo mês. Segundo, é importante avaliar criteriosamente o perfil de cada um dos presentes na lista tríplice.

Se respeitar esses parâmetros, adotando baliza racional e tendo como objetivo precípuo apenas a garantia da qualidade da educação e o cumprimento das metas fixadas pelas próprias entidades de ensino superior, Bolsonaro terá feito boa escolha. Do contrário, contribuirá para a instabilidade de uma instituição cuja trajetória é marcada pelo respeito à diversidade e à maturidade da comunidade que a integra.

Num cenário já suficientemente conflagrado no qual a interferência inoportuna de elementos ideológicos têm produzido tensões desnecessárias, recepcionar o primeiro da lista de candidatos a reitor seria também mostra de que o presidente entende a importância da autonomia das universidades e está disposto a estabelecer um canal de diálogo produtivo, orientando-se por uma relação republicana tanto com estudantes quanto com professores.

Afinal, o País não há de colher bons frutos com a persistência do discurso de beligerância que tem sido uma constante no Ministério da Educação (MEC) nestes cinco meses de governo. É hora de rever posições, acenar ao entendimento e começar a governar de fato, pautando-se exclusivamente pelo bem comum. n