PUBLICIDADE
Jornal
VERSÃO IMPRESSA

Logística: somos reféns do asfalto

29/05/2019 01:38:06
Ernesto Antunes
Consultor empresarial, especialista em Logística empresarial e membro do Conselho de Leitores do O POVO
Ernesto Antunes Consultor empresarial, especialista em Logística empresarial e membro do Conselho de Leitores do O POVO (Foto: Acervo pessoal)

Como atuamos na área de Logística de Transportes, verificamos que a greve dos caminhoneiros que completa um ano, deixou um recado claro: O País é refém do modal rodoviário. Sobre quatro rodas se transportam 65% da riqueza nacional. Se os motoristas cruzam os braços, o Brasil para. O governo passado pagou para ver. A paralisação pôs o pé no freio no crescimento econômico e fez o Produto Interno Bruto desabar, a ponto de encerrar 2018 com avanço de minguado 1,1%, nada para um País com tantas demandas sociais.

Analisando friamente esse imbróglio, temos uma certeza: Mesmo que a equipe econômica encabeçada por Paulo Guedes encontre uma saída para a crise com a categoria, a resposta será temporária. O Brasil paga a fatura de opções erradas feitas no passado, que tornaram o País refém do modal rodoviário. À medida que a industrialização nacional avançava, o asfalto foi ganhando a preferência tanto nos transportes de passageiros quanto no de cargas. Outros modais de transportes seguram o caminho inverso.

Juscelino Kubitschek, na segunda metade do século passado, acelerou o processo. Deu enorme impulso à indústria automobilística e deixou em segundo ou terceiro plano o transporte de cabotagem e de ferrovias. Os militares que assumiram o poder em 1964, também contribuíram para reduzir a malha ferroviária. Resultado: subverteu-se a lógica. Caminhões que deveriam responder por distâncias de até 400 quilômetros, deixando para o trem trechos mais longos, terminam imperando sem concorrência nos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território nacional.

Conhecidos diagnósticos, impõe-se solução duradoura; libertar-se da ditadura do asfalto. Mas ninguém é ingênuo de imaginar que a resposta resultará de uma simples canetada do presidente, pois o lobby nos meios políticos ainda é muito grande para atender toda a cadeia produtiva desse modal. Esse tipo de atitude tem tornado o nosso País ineficiente quando o assunto é a logística de transportes, principalmente pelo custo elevado, não cumprimento dos prazos de entrega e pela própria ineficiência dos portos, quando se trata de exportação. 

Ernesto Antunes