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2020: velhos e novos arranjos eleitorais

27/05/2019 01:39:05
Cleyton Monte
Cientista político, professor universitário e pesquisador do Lepem (Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia)
Cleyton Monte Cientista político, professor universitário e pesquisador do Lepem (Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia) (Foto: Cleyton Monte)

Reportagem especial do O POVO (19/05/2019) trouxe os nomes que podem disputar a Prefeitura de Fortaleza em 2020. Na verdade, a corrida começou logo após a divulgação dos resultados eleitorais de 2018. Os políticos que registraram votações expressivas passaram a sonhar mais alto. Os atores políticos não deixam de fazer cálculos e testar suas estratégias. Com as mudanças na legislação e um cenário de crise (econômica e política), qualquer movimento deverá ser muito bem analisado. Os gestores com boa avaliação da população conseguirão sair na frente. A disputa local apresenta certas particularidades. De toda forma, o embate nos principais municípios poderá ocorrer entre os velhos e novos arranjos políticos.

A questão central na próxima eleição é se o modo tradicional de fazer política, caracterizado por alianças com cabos eleitorais, recursos partidários e grandes estruturas de campanha continuará eficaz ou, se o confronto pelas prefeituras seguirá o modelo nacional de 2018, tendo as redes sociais como via fundamental de comunicação, deixando de lado a negociação partidária e adotando estruturas mais enxutas. A eleição para governador não modificou as formas de fazer política no Estado. Para o Legislativo, a história foi diferente. Vários candidatos foram eleitos trilhando outros caminhos e não contaram com o apoio de alianças políticas. De qualquer modo, a maior força eleitoral do Ceará - Os Ferreira Gomes - apesar do desgaste sofrido pelo exercício do poder, alcançou, na última década, vitórias importantes com a gramática tradicional e, caso esse arranjo prevaleça, segue favorito na capital e nas maiores cidades do interior. Entretanto, a política brasileira se tornou ainda mais imprevisível!

Resta saber se as forças de oposição aos Ferreira Gomes conseguirão produzir um projeto coerente e democrático de administração pública. Em Fortaleza, a oposição encontra-se fragmentada. Capitão Wagner é o que tem maiores chances, mas terá que disputar, inicialmente, o eleitor e os partidos de centro-direta com Dra. Silvana, Carlos Matos e André Fernandes. É inquestionável que o lulismo continua forte na capital. O partido obteve votações expressivas em 2018. Enquanto esse xadrez é montado, a sociedade aguarda ansiosa por um debate profundo sobre os dilemas municipais. 

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Cleyton Monte