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Cruz da Misericórdia

25/04/2019 01:48:39
Padre da Arquidiocese de Fortaleza e Missionário da Misericórdia
Pe. Rafhael Silva Maciel
Padre da Arquidiocese de Fortaleza e Missionário da Misericórdia Pe. Rafhael Silva Maciel (Foto: Pe. Rafhael Silva Maciel)

Exatamente na Sexta-feira da Paixão começamos a novena da Divina Misericórdia, aquela mesma querida por Jesus Cristo e da qual Santa Faustina foi sua portadora. É esse o dia em que a Misericórdia de Deus revelou-se do modo mais extremado, na doação do seu próprio Filho na Cruz, pela salvação dos homens.

Na Cruz a Misericórdia de Deus mostra-se real: nas Chagas de Cristo, na sua dor dilacerante, nos espinhos que traspassaram sua cabeça. Tudo é real, tudo acontece e a misericórdia é oferecida.

O sangue de Jesus não é só derramado do alto da Cruz, mas já era derramado desde sua agonia no Horto das Oliveiras, na flagelação, na coroação de espinhos, no caminho tortuoso para o Calvário, nas suas quedas, ali já havia muito sangue derramado, seu corpo já estava sendo entregue. Em todo seu caminho para o Calvário, Cristo demonstra que a misericórdia sempre é derramada.

O rosto da Misericórdia, visível em Cristo, mostra como o homem é sujo pelo pecado. Seu rosto massacrado traz à tona as sujeiras da condição humana. É um rosto sofrido, mas é rosto da Verdade.

Por isso, é preciso que nos aproximemos do trono da graça, que é também trono da Misericórdia. Na Cruz, Jesus Cristo reina e deixa claro que seu Reino não é deste nosso mundo.

Nem os ossos nem as vestes do Senhor são dilacerados. Ficam inteiros porque Graça e Misericórdia são dadas por inteiro, são causa da unidade do Corpo de Cristo. Deixemos que aquele mesmo Sangue santo e aquela Água regeneradora derramem-se sobre nós. Banhados em Cristo, seremos novas criaturas, lavados pela misericórdia para espalhar misericórdia.

Nunca esqueçamos que "a Cruz está presente em tudo e chega quando menos se espera. - Mas não esqueças que, ordinariamente, andam emparelhados o começo da Cruz e o começo da eficácia" (S. Josemaria Escrivá, Sulco 256). A Cruz e a Divina Misericórdia lembram-nos de que a história caminha para Deus. Mesmo com a aparente vitória do mal, como testemunhamos todo dia, nas situações de morte presentes no mundo, a Cruz nos convida a crer que a última palavra será sempre de Deus. Por isso, olhemos para a Cruz, olhemos para o Traspassado, olhemos para o Crucificado-Ressuscitado: cabeças erguidas! 

 

Pe. Rafhael Silva Maciel