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Jornal

Vítima ou culpado?

Jamila Araújo 
Empresária e vice-presidente da CDL de Fortaleza 
jamila.araujo@casadosrelojoeiros.com.b
Jamila Araújo Empresária e vice-presidente da CDL de Fortaleza jamila.araujo@casadosrelojoeiros.com.b

Tem momentos que parece que precisamos nos desculpar pelo simples fato de sermos quem somos ou estarmos onde nos encontramos. Se assaltados na rua, absurdamente escutamos: "também fica andando por aí a noite"; se é mulher e és assediada, tem gente que pensa e até fala mesmo: "mas com essa roupa, né"; se temos uma casa tomada por lama devido a chuvas fortes, pode-se ouvir: "quem mandou construir uma casa nesse local".

Quantas vezes somos vítimas num contexto e as pessoas focam suas observações nos ângulos errados. Pode parecer uma reflexão equivocada para uns ou justificadas para outros, afinal, de fato não é prudente ficar na rua tarde da noite numa cidade violenta, se vestir em roupas sensuais numa sociedade no qual certos homens são mal-educados ou tarados, e fazer uma casa numa região de risco.

Sem querer que os fins justifiquem os meios, não devemos valorizar de maneira desproporcional o ato que o transformou em vítima. Se postar como vítima é sim uma exposição, porém, é válido mostrar os fatos no qual fomos lesados. A ocorrência que machuca é que deve ser clamada e discutida, além de valorizada antes das observações das pessoas sobre quem somos, onde, o que e como.

Se um ato está errado ou é, até mesmo, criminoso, devemos falar o que sentimos, pedir socorro, exigir justiça. A vítima que sofre é que deve ser acolhida para só depois ser aconselhada, se for o caso.

Não devemos nos conformar em perder o direito de ir e vir, de morar com segurança, de nos expressarmos como desejamos, de sermos quem queremos ser, seja por opção ou não.

O ser humano tende a julgar a vítima, mas vale a pena ter empatia pelo outro. Buscar se colocar no lugar do próximo antes de apontar suas fraquezas. Vamos defender e valorizar o lado bom de cada pessoa e de cada cenário, afinal, estar em sociedade demanda "jogo de cintura", mas o que é certo é certo e o que é errado é errado. E roubar, assediar, desabrigar, agredir é errado e, isso sim, é inquestionável. n

 

Jamila Araújo