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Jornal
Segurança

CONFRONTO DAS IDEIAS

24/03/2019 02:21:16

No último dia 13, dois jovens invadiram a escola Raul Brasil, em Suzano (SP), e abriram fogo a esmo durante o intervalo. O ataque acabou com a morte de dez pessoas, inclusive dos atiradores. As escolas cearenses contam com plano de segurança para tentar evitar esse tipo de tragédia?

 

Ana Cristina Guilherme
Presidente do Sindicato União dos Trabalhadores em Educação de Fortaleza
Ana Cristina Guilherme Presidente do Sindicato União dos Trabalhadores em Educação de Fortaleza

Não

Diante da consternação do ataque ocorrido na Escola Raul Brasil, em Suzano (SP), nossa reflexão se volta a todas as escolas brasileiras, em especial de Fortaleza. Nossas escolas estão seguras, há na rede pública uma política de segurança nas escolas?

Não existe nenhuma política de segurança que proteja as escolas públicas, em uma das cidades mais violentas do mundo. O que aconteceu em Suzano aconteceria em qualquer escola do País.

O que quero refletir é que tragédias como estas precisam ser refletidas para além de normas de segurança, cabe à reflexão da sociologia, dos educadores, de todo povo brasileiro.

Cabe refletir o quão violenta foi o debate eleitoral, onde havia campanha na mídia com a proposta de arma para todos, quando deveria haver justiça social.

Nos Estados Unidos é comum episódios como estes, e as escolas são "seguras"? Será que segurança armada nas escolas, professores armados na escola, escolas militarizadas é a solução? Não, as defesas das armas, da militarização, sejam em gestos ou em palavras, ratifica a ideia de que a solução de conflitos e diferenças se dão pela violência. A cultura da paz está na democracia, no respeito às minorias, a diversidade, a paz não se alcança a partir de estratégias policias. Os episódios de violência na cidade são constantes, também não é incomum escolas sendo invadidas por assaltantes, a escola precisa ser protegida, precisa de segurança, mas compreendemos segurança a partir de justiça social. n

 

Casemiro de Medeiros Campos
Doutor em Educação, professor e pesquisador
Casemiro de Medeiros Campos Doutor em Educação, professor e pesquisador

Sim

A violência é um grave sintoma da vida social. Ou seja, o fenômeno da violência nos revela a reação do sujeito negado. Podemos entender que a violência é fruto dos conflitos não resolvidos, mas também, do desrespeito, do fracasso, da injustiça e da prepotência. O desejo de vingança produz a violência. É uma reação do indivíduo ameaçado pela determinação da sua negação enquanto sujeito. As escolas e os professores ficam reféns desses graves problemas que tem se agravado nos últimos anos com o aumento de casos de violência aqui no Brasil. Ações violentas como aquelas ocorridas na escola em Suzano (SP) é algo pontual e episódico. Não é algo que acontece cotidianamente. Aqueles jovens promoveram ações isoladas no contexto mais amplo da própria violência daquela comunidade. Desse modo, temos que compreender que nas escolas se realiza um trabalho pedagógico, educativo e preventivo sobre a violência. As experiências têm mostrado que não se impede a violência com plano de segurança e com uso de segurança armada. Mas o trabalho pedagógico sistematizado e contínuo, focado numa cultura de paz têm se constituído exitoso com a utilização da mediação escolar. Dentre os fins da mediação escolar está à pacificação das comunidades escolares por meio da aplicação do modelo de uma pedagogia da paz em que se coloca no centro da formação o autoconhecimento e o protagonismo juvenil. Assim, para melhor acompanhar os adolescentes e jovens é estando no meio deles, acolhendo-os, dialogando e educando-os. n

 

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