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Jornal

Violências e convivência nas escolas

Miriam Abramovay
Doutora em Educação e coordenadora de Juventudes e Políticas Públicas (Flacso)
Miriam Abramovay Doutora em Educação e coordenadora de Juventudes e Políticas Públicas (Flacso) (Foto: Miriam Abramovay)

O dia 13 de março de 2019 será para todos inesquecível, pelo massacre em Suzano, São Paulo, onde um adolescente e um jovem encapuzados atacaram a Escola Estadual Raul Brasil e mataram sete pessoas, sendo cinco alunos e duas funcionárias do colégio. Em seguida, um dos assassinos atirou no outro e, se suicidou.

Todos se perguntam as razões para que aconteçam tais fenômenos que começaram a surgir nos EUA a partir dos anos 1990 e se multiplicaram em outros países.

Para pensar em tais fatos, poderíamos apontar duas vias: a primeira relacionada com os próprios jovens que querem chamar a atenção e, em geral, entram em dupla nas escolas com a intenção de matar, exibindo poder através das armas. Esse tipo de massacre é imprevisível e as vítimas, aleatórias, são as que aparecem na frente daqueles que cometem o delito.

O ato é preparado com antecedência e sabem que irão morrer também. Ao mesmo tempo, é uma forma de aparecer de modo midiático, própria do narcisismo dos adolescentes e dos jovens. A raiva contida tem como alvo seus pares e os adultos da escola, ou seja, aqueles que foram importantes durante a sua trajetória escolar, mas que não conseguiram reconhecê-los, integrá-los e dar espaço a uma maior sociabilidade. Por isso mesmo, sentem-se desvalorizados diante dos seus pares e procuram vingança através da violência.

A segunda via é a ausência de políticas públicas voltadas à convivência escolar. A escola deveria ser um lugar protegido e de proteção, onde tanto adolescentes e jovens quanto os adultos deveriam ter uma sensação de bem estar, sociabilidade e prazer.

Neste sentido, a Flacso Brasil vem desenvolvendo programas sobre violências e convivência escolar, inclusive, realizados em vários municípios brasileiros, acompanhados de pesquisas, tendo como sujeitos principais os estudantes. Trata-se de ouvir e compreender o que é ser jovem, sua cultura, seus sonhos, projetos futuros e trabalhar com eles e para eles a elaboração de diagnósticos da realidade escolar com vistas a mudanças.

Os problemas encontrados nas escolas são globais e devem ser pensados e efetivados com políticas públicas concretizadas pelos estados e municípios.

A escola, portanto, deve ser um espaço de "socorro", transformando as "escolas de risco" em "protetoras" capazes de dialogar para resolver seus conflitos cotidianos e não pode ignorar o que é humano. E a violência é essencialmente um fenômeno humano. n

 

Miriam Abramovay