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Jornal

A cidade feminina

15/03/2019 02:25:18
Tempos estranhos. Diante de tantos bombardeios de opiniões, acusações, é preciso olhar mais para si do que para o outro. Onde estamos, o que fazemos sobre, como nos colocamos, mas principalmente qual é o nosso papel nessa situação, inerente as condições externas.

 

Quero trazer a reflexão do nosso papel como cidadão. A origem da palavra cidadania se originou do latim civitas, que significa literalmente
Tempos estranhos. Diante de tantos bombardeios de opiniões, acusações, é preciso olhar mais para si do que para o outro. Onde estamos, o que fazemos sobre, como nos colocamos, mas principalmente qual é o nosso papel nessa situação, inerente as condições externas. Quero trazer a reflexão do nosso papel como cidadão. A origem da palavra cidadania se originou do latim civitas, que significa literalmente "cidade", pois é diretamente relacionada com as pessoas dos centros urbanos. É o habitante da cidade que tem o direito de gozar de seus direitos civis e políticos, ou no desempenho de seus deveres para com este. O cidadão ao ter consciência e exercer seus direitos e deveres está praticando a cidadania. A dualidade política que assola nosso País tem ferido esse papel do cidadão. Pois a disputa faz com que os valores ideológicos de grupos estejam acima do interesse coletivo. A discussão é útil para reflexões de qualquer democracia, contanto, se a sua postura não beneficiar toda a diversidade de cidadãos, estamos sendo antagônicos à cidadania. O outro ponto fundamental é sobre a consciência dos nossos deveres como cidadão. Entre eles estão: respeitar os direitos sociais de outras pessoas, educar e proteger nossos semelhantes, proteger a natureza, o patrimônio comunitário, o patrimônio público e social do País. Por isso, o cidadão é o principal protagonista das políticas sociais que realmente fazem a diferença na sociedade. As boas novas é que nosso País é hoje a quinta posição entre os países com maior número de voluntários. De acordo com o World Giving Index 2017, um em cada cinco brasileiros faz trabalho voluntário, totalizando o engajamento de 33 milhões de pessoas. É um número significativo que merece ser ressaltado. Muitos têm feito o trabalho na base da pirâmide, apesar de todas as adversidades e mudado nossa realidade dia a dia. Valorizar e apoiar os trabalhos desses verdadeiros cidadãos, me parecem agora o que há de mais sensato e eficiente. n Laura Rios laura@creatorearquitetura.com.br Arquiteta cocriadora da Estar Urbano (Foto: Reprodução)

No espírito de reflexões sobre o Dia da Mulher, trago hoje algumas percepções da influência do feminino na cidade. De como a mulher vem intervindo não só nas relações comunitárias, mas também em formas de liderança e proatividade em causas sociais, culturais, urbanas.

Já ouvi um líder comunitário dizer que não queria da prefeitura casas prontas, só o material, pois eles tinham as melhores pedreiras do mundo. Já vi também uma rede de apoio de mulheres num conjunto que não só se ajudavam, mas também atuavam em soluções práticas para minimizar problemas do lugar. A percepção do coletivo, o zelo por seus espaços dentro e fora da casa, são características do feminino, que vão além do gênero.

Em contraponto, é nessas mesmas cidades instáveis que buscam equilíbrio em que a mulher é mais prejudicada porque precisa constantemente se afirmar nesses processos. A cidade ainda é mais reservada ao homem em todos os aspectos. E isso explica porque a mulher não encontra seu lugar seguro na cidade, uma vez que o machismo e o racismo são protagonistas na desigualdade que infringe os direitos de ir e vir, o direito à cidade e à dignidade humana da mulher.

Por isso, faz muito sentido pensar na inclusão da mulher na cidade através, também, de projetos urbanísticos que deem mais apoio com creches, escolas, locais de lazer para crianças. Deve-se pensar também na regularização das ocupações, locação social, ou seja, agregação de políticas de casas acessíveis e financiamentos mais baratos para as mulheres. Observando que é a categoria de gênero que têm menor rendimento financeiro devido à discriminação sofrida por elas no mercado de trabalho. E mesmo apesar dessa defasagem, estatisticamente, as mulheres investem mais no bem-estar de sua família do que os homens, assim como também priorizam a estabilidade e segurança do lar.

Temos a vista de todos os sinais necessários para apostar no protagonismo feminino como uma potente ferramenta de transformação social, de combate a desigualdades e, principalmente, na evolução benéfica de nossas culturas e tradições na cidade. n

Laura Rios