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As potências mundiais em torno da Venezuela

Beatriz Cavalcante
beatrizcavalcante@opovo.com.br
Jornalista do O POVO
Beatriz Cavalcante beatrizcavalcante@opovo.com.br Jornalista do O POVO

O panorama atual da Venezuela e os desdobramentos políticos, humanitários e econômicos são amostras reais e claras da sede pelo poder acima do bem-estar da população. A tensão aumentou neste ano e é preciso estar de olho no desenrolar dos acontecimentos e nos interesses internacionais no país e também na América do Sul como um todo.

A queda de braço entre oposição e situação não é deste ano. Em 2013, quando Hugo Chávez faleceu e seu vice-presidente, Nicolás Maduro, assumiu em caráter interino, convocando eleições e vencendo para o mandato de seis anos em abril daquele ano. As desconfianças já pairavam.

Henrique Capriles, candidato derrotado, contestou o resultado de 64% de aprovação a Maduro. Em 2018, novo pleito reelegeu o ex-vice de Chávez, mas as denúncias de fraude marcaram o embate com a oposição e com a comunidade internacional.

Em jogo, não apenas a cadeira de presidente, ou a população que amarga péssimos índices econômicos, mas uma commoditie que move o mundo: o petróleo, que representa cerca de 90% das exportações da Venezuela e poder para as potências mundiais.

Foi este produto, apesar também das grandes reservas de gás natural, que atraiu muitos imigrantes para o país, em busca de ter uma vida melhor, com o lucro que se poderia obter na cadeia produtiva em torno da exploração petrolífera.

É a mesma commoditie que faz com que países olhem para a Venezuela como uma fonte de petróleo. Como a China, que despendeu financiamentos para o país.

Já para Rússia, investir na Venezuela representa uma mão poderosa na América do Sul, numa tensão geopolítica para mostrar força em área cercada por outros países de influência dos Estados Unidos.

E o ponto que vem sendo levantado ultimamente, uma intervenção militar dos norte-americanos na Venezuela, não é de se festejar. Apesar do desgoverno venezuelano, que leva a população à situação de miséria, o ato dos Estados Unidos poderia abrir precedente para que aconteça o mesmo em outros países, pelas potências mundiais. Mexer na Venezuela é mexer com a mão da Rússia. n

Beatriz Cavalcante

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