PUBLICIDADE
Jornal

Por que colonoscopia?

Pedro Henrique Saraiva Leão 

pedrohsaraivaleao@hotmail.com  
médico e professor Emérito da UFC
Pedro Henrique Saraiva Leão pedrohsaraivaleao@hotmail.com médico e professor Emérito da UFC

O intestino grosso (cólons) divide-se em cólon ascendente (direito), donde pende a apêndice vermiforme, ou ileo-cecal; cólon transverso (entre o fígado (D) e o baço (E)), e cólon esquerdo, ou descendente (signóide)abocando o fim do tubo digestivo: reto e canal anal. Integra a colo-proctologia (incluindo-se o intestino delgado terminal),especialidade que adotamos há 50anos, após treinamento em São Paulo (HCUSP), Londres (St. Mark's Hospital), e Alemanha (DKD) (Wiesbaden). Antes, por 4-5 anos, havíamos sido treinados em São Paulo e praticávamos cirurgia geral (estômago, vesícula, tireoide, hérnias etc). Nessa área anatômica descrita surgem nos cólons os pólipos, os divertículos, e o câncer (mais à esquerda), preveníveis por dieta, ou operados, com resultados diversos. Até o fim dos anos 1960, os pólipos, pequenas lesões assintomáticas - e muita vez - pré-cancerosas, só eram ressecados mediante laparotomia (abertura do abdômen) e colostomia (abertura dos cólons). O exame data de 1971 (Wolff e Shinya). Permite o diagnóstico (através de biópsias), e tratamento (retirada de pólipos; seguimento nas reto - colites; coagulação a laser nas retites pós irradiação), leia nosso "Câncer nos cólons e no reto", UFC, 1984.

Revisões estatísticas maiores, como das 45.000 colonoscopias desses autores, em 1982 revelaram a assustadora incidência de 20% de cânceres e pólipos colo - retais em indivíduos com parentes já acometidos por idênticas moléstias (Bull Soc Int Chir 1971; 5:525-7 / N. Engl. J. med. 1973; 288:329). Tal ratifica o valor deste procedimento no diagnóstico precoce, oportuno, dessa malignidade. Dispensa anestesia, sendo realizado com sedação endovenosa. O realizamos, geralmente em 15 minutos, liberando o paciente meia hora depois. A colonoscopia, assim, tornou-se tão importante como o toque retal, máxime na detecção conveniente de afecções malignas desse setor anatômico. Lembremos que essas podem conferir 50-70%, de sobrevida pós-operatória, ou até mesmo 90%, quando surpreendidas no início, ver Julho Vermelho, O POVO, de 03/01/2018. n

 

Pedro Henrique Saraiva Leão