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Jornal

Inclusão e diversidade

Neivia Justa 
Jornalista, executiva e criadora do movimento #ondestãoasmulheres
Neivia Justa Jornalista, executiva e criadora do movimento #ondestãoasmulheres

Era uma vez um jovem marciano, que vivia inconformado com a falta de diversidade existente em Marte. Ele queria encontrar um lugar onde pudesse aprender a se tornar um ser inclusivo e, assim promover mais diversidade à sua volta. Um dia, ao ler o boletim diário de notícias intergalácticas, ele descobriu que no planeta Terra havia um país chamado Brasil, considerado o mais miscigenado de todos. Seria esse o lugar que ele procurava?

Determinado a viver uma experiência de descobertas e aprendizados, entrou em contato com uma colega humana e conseguiu um intercâmbio terráqueo. Não demorou muito para sua espaçonave aterrissar no estacionamento do condomínio fechado onde morava aquela que seria sua família brasileira.

Acostumado com um planeta horizontal, ele achou estranhíssima aquela construção vertical chamada prédio, onde passou a morar. Ali viviam 25 famílias, uma em cada andar, desconhecidas entre si. Ainda mais estranho era o cubículo chamado elevador, que transportava as pessoas para cima e para baixo o dia inteiro. Elas entravam lá, sequer davam bom dia e ficavam de costas umas para as outras com a cabeça baixa e o olhar fixo numa mini tela chamada celular. Ao tentar fazer amigos, logo descobriu que aqueles seres apenas coabitavam o mesmo espaço. Não formavam uma comunidade.

Sua família brasileira era composta por um homem, uma mulher e duas crianças - uma vestia azul e a outra vestia rosa. Elas estudavam numa escola cheia de crianças semelhantes que vestiam azul ou rosa. A cor da roupa determinava os estímulos, os desafios, as limitações e os privilégios que elas teriam ao longo da vida. Os pais eram todos brancos, pensavam e se vestiam de maneira semelhante, dirigiam o mesmo tipo de carro-nave blindado, frequentavam os mesmos lugares e os mesmos clubes, viajavam para os mesmos destinos, tinham estudado nas mesmas universidades e trabalhavam juntos.

Onde estavam os outros? Os diferentes?

Decepcionado com tanta semelhança e exclusão, o marciano resolveu encerrar seu intercâmbio brasileiro. Definitivamente, não era aqui que aprenderia sobre inclusão e diversidade. n

Neivia Justa

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