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Brasil, o país dos desastres

O fato de a Vale ter evacuado duas cidades mineiras - Barão de Cocais e Itatiaiuçu -, devido ao risco de rompimento das barragens, mostra que a situação desses equipamentos é tão precária quanto afirmam especialistas independentes, problema sempre minimizado pela empresa. Felizmente, as providências foram tomadas antes de uma desgraça maior, como aconteceu Mariana, em 2015, e, no mês passado, em Brumadinho, ambas cidades de Minas Gerais. No desastre mais antigo, morreram 18 pessoas; neste, mais recente, contam-se, até agora, mais de 150 mortos e mais de 180 desaparecidos. Acrescente-se a isso os irrecuperáveis prejuízos ambientais.

Na quarta-feira, um temporal atingiu a cidade do Rio de Janeiro, causando pelo menos seis mortes e provocando grandes estragos materiais, com deslizamento de encostas, queda de árvores, alagamento de ruas, e enxurrada invadindo centenas de casas e estabelecimentos comerciais. Além disso, pela segunda vez, desabou um trecho suspenso da ciclovia Tim Maia. Por sinal. Um mês antes, o prefeito da cidade, Marcelo Crivella, garantira que a reforma, concluída por ele, evitaria qualquer outro acidente na faixa de circulação de bicicletas.

Nesta sexta-feira, um incêndio atingiu o centro de treinamento do Flamengo, deixando 10 jovens mortos e vários feridos, alguns com gravidade. No prédio alojavam-se meninos entre 14 e 17 anos de idade, jogadores das categorias de base do clube. O comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Rio, Roberto Robadey, que também é Secretário de Defesa Civil, disse que o alojamento em que estavam as vítimas da tragédia não tinha documentação, e que isso implicaria falta de segurança no local onde estavam os atletas.

Observe-se que nenhum desses desastres pode ser considerado evento imprevisível. No Rio, todo ano, os estragos provocados pela chuva se repetem. Alertas a respeito de barragens mal conservadas são feitos seguidamente por peritos do setor e, depois da catástrofe de Mariana, as explicações da Vale sobre Brumadinho soam como desculpas esfarrapadas. Quanto ao incêndio do centro de treinamento, os diretores agiram de forma negligente, submetendo os jovens a uma área de risco.

Acrescente-se a esse caldo venenoso, a justa desconfiança das pessoas na palavra das autoridades, públicas ou privadas que, por imprudência ou má-fé escondem informações do público. Certamente, a Vale tem relatórios sobre o real estado de suas barragens; o prefeito do Rio não tinha como garantir a segurança da ciclovia, além de saber, que, todo ano, temporais desabam sobre o Rio. Quanto ao Flamengo, a direção publicou um Twitter avisando que o clube estava "de luto". O Brasil é que está, devido à quantidade de tragédias evitáveis que se abatem seguidamente sobre o país. n

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