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Jornal

Quem abre uma escola fecha uma prisão

 DESDE que Assis Cavalcante, atual presidente da CDL, assumiu, quatro anos atrás, o Natal da Luz no Centro, um sucesso atrás do outro. No deste ano pretende bater todos os recordes de público. Show de abertura do grande Fagner, que maravilha! Para completar a Secretaria de Segurança colocou uma delegacia móvel na Praça do Ferreira. À noite está linda e iluminada. Durante o dia aí, a história é outra.
DESDE que Assis Cavalcante, atual presidente da CDL, assumiu, quatro anos atrás, o Natal da Luz no Centro, um sucesso atrás do outro. No deste ano pretende bater todos os recordes de público. Show de abertura do grande Fagner, que maravilha! Para completar a Secretaria de Segurança colocou uma delegacia móvel na Praça do Ferreira. À noite está linda e iluminada. Durante o dia aí, a história é outra.

Sempre tive simpatia por Victor Hugo, escritor e poeta francês de grande atuação política em seu país no século XIX. Conheci um pouco da sabedoria do autor de "Os Miseráveis" ainda nos bancos da faculdade de Direito, já intentando ser criminalista. O que me encanta nele é pregar a valorização da escola como opção contra o cárcere. Do alto da sapiência, o escritor de "O último dia de um condenado" afirma que "Quem abre uma escola fecha uma prisão". Genial.

Victor Hugo está certo. Para o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de cada 1% a mais de jovens nas escolas, o número de homicídios cai em 2%. É a educação reduzindo a criminalidade. Grandes nações investem na qualidade do ensino da população como força propulsora do desenvolvimento econômico e social. Países arrasados por guerras há 50 anos reconstruíram-se e são grandes potências tecnológicas por força da educação.

Relendo escritos meus de anos atrás, deparo-me com artigo que produzi tendo por título o pensamento acima. Referia-me às críticas feitas a um livro de então que pregava não existir o certo e o errado na língua portuguesa. Eu afirmava que o homem de talento lê livros, mas lê também a vida. Que o universo é um grande livro e a vida, uma grande escola.

De volta ao presente, ainda lamentando a onda de ataques de há pouco em nosso Estado, concluo que o melhor aprendizado é o que, fixado no coração, promove a paz entre as pessoas. Falo da responsabilidade de cada um na construção de um mundo mais justo. E já recorro a outro artigo meu, intitulado "Pedagogia do cárcere", tratando das escaramuças de aprendizes de terroristas políticos, dentro da cadeia, ensinando bandidos comuns à prática de delitos melhor planejados. "... dentro das prisões existem também cabeça pensantes para o crime".

Abrir mais escolas, mas transcender ao ensino curricular tradicional, inspirando crianças e jovens na busca dos valores humanos inalienáveis, da decência e da generosidade. A felicidade do outro como marco para a nossa. Eis as grandes lições da escola da vida, de grade curricular única e libertadora: o amor ao próximo. n

Assis Cavalcante

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