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Sistema S: capacitação em risco

A anunciada intenção do ministro da Economia, Paulo Guedes, de reduzir fortemente os recursos destinados ao Sistema S está causando polvorosa no meio empresarial, com repercussão inevitável nos segmentos de trabalhadores beneficiados por ele, através de cursos de capacitação profissional. Trata-se de um suporte indispensável para adequar o Brasil à revolução tecnológica que suprime postos de trabalho e exige uma mão de obra cada vez mais qualificada para ser mais produtiva.

Fazem parte do Sistema S - criado na década de 1940 -o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai); o Serviço Social do Comércio (Sesc); o Serviço Social da Indústria (Sesi); e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (Senac). Também o integram: o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar); o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop); e o Serviço Social de Transporte (Sest).

São entidades privadas vinculadas ao sistema sindical patronal e mantidas, como prevê o artigo 240 da Constituição Federal, por contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de pagamento. Graças a essa arrecadação - R$ 16,5 bilhões no ano passado - somada a aportes governamentais é que essas entidades, instaladas em todos estados da Federação, mantêm importantes escolas de treinamento e qualificação profissional e oferecem grande variedade de serviços. As atividades não são restritas a trabalhadores dos setores: qualquer pessoa pode se matricular e disso resulta capacitações excelentes.

Há mais: o Sesc paulista, por exemplo, financia há quase três décadas um importante centro de pesquisa teatral. Em matéria de produção cultural, diz-se que o Sesc é mais importante do que o Ministério da Cultura. O mesmo se diga, no Ceará, onde, em 2018, o Senac registrou 124.806 matrículas, sendo 33.331 em cursos e 91.475 em ações extensivas como palestras, oficinas e workshops, ultrapassando 3,9 milhões de horas/aula. Foram 48 mil títulos especializados e cerca de 54.200 pessoas atendidas na rede de 10 bibliotecas das instituições cearenses.

A diminuição de repasses, pretendida por Guedes pode chegar a 50% e, se confirmada, pode provocar o fechamento de um grande número de unidades escolares e acabar com cursos gratuitos oferecidos pelos vários componentes do Sistema S. Fragilizar a estrutura poderia prejudicar a capacitação técnica da mão de obra nacional. Ora, não é sábio cortar na educação, sobretudo na formação de trabalhadores. Isso deixaria o Brasil na contramão dos países ricos, no momento em que as máquinas substituem o trabalho humano. No máximo, poderia ser aceita a correção de eventuais incongruências, nunca a inviabilização do Sistema S, uma das poucas coisas que funcionam no Brasil. n

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