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É hora de trabalho no Congresso

Definidos os nomes que irão comandar o Congresso no próximo biênio, cumpre agora aos parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado levar adiante uma agenda mínima de reformas que permita a retomada do crescimento econômico e, por tabela, a geração de empregos.

A tarefa não é simples, contudo. No Legislativo, a onda que atravessou as últimas eleições produziu uma renovação inédita. Apenas no Senado, houve troca em 85% das cadeiras em disputa - na Câmara, o índice foi de
aproximadamente 45%.

Essa é uma das dificuldades que Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, ambos do DEM, devem enfrentar no exercício da presidência de Câmara e Senado, respectivamente. A fragmentação política, nunca vista em grau tão superlativo desde a redemocratização, é obstáculo à construção de maiorias, necessárias à aprovação de
alterações constitucionais.

Na Câmara, Maia foi reconduzido com 334 votos, uma margem folgada que, entretanto, não pode se confundir com uma eventual base de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PSL). Já Alcolumbre foi alçado à chefia da mesa diretora do Senado lastreado num patamar proporcionalmente menor: 42 votos, apenas um acima do mínimo necessário à liquidação da fatura no primeiro
turno da votação.

Nos dois casos - Câmara e Senado -, o Planalto terá de arregaçar as mangas e desfazer os nós que resultaram do processo eleitoral e da subsequente escolha dos mandatários das casas legislativas a fim de fazer avançar sua
agenda reformista.

Se Maia e Alcolumbre têm como desafio maior a pulverização de legendas no Congresso, Bolsonaro também vê diante de si uma missão complexa: despir-se do figurino de candidato e reconstruir as pontes com os derrotados, o que inclui, sobretudo, o senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Caso deseje aprovar a reforma da Previdência, para citar apenas um dos itens prioritários do cardápio do ministro Paulo Guedes, é fundamental que o Governo Federal estabeleça com o parlamentar alagoano alguma interlocução.

O mesmo vale para Maia, cujas diatribes com o ministro-chefe da Casa Civil Onix Lorenzoni (DEM) podem atrapalhar os trabalhos na Câmara e, em extremo, azedar o clima para apreciação das reformas. O primeiro sinal foi dado ainda na sexta-feira passada, quando, mal anunciado o resultado da disputa, o deputado do DEM estimou para apenas daqui a dois meses o início das discussões da reforma previdenciária, jogando água na fervura de Guedes e acendendo o sinal de alerta no Planalto.

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