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Congresso: jovem, plural e conservador

Francisco Moreira Ribeiro
Cientista Político
chicomoreira@uol.com.br
Francisco Moreira Ribeiro Cientista Político chicomoreira@uol.com.br

O resultado das eleições de outubro de 2018 só pode ser compreendido, no mínimo, com uma leitura mais profunda da última década da política brasileira, período em que os desarranjos das forças políticas tradicionais, demonstração de pouco apreço pela coisa pública pois descoberto a face mais perversa dos políticos nacionais, só assim se traduzirá o forte desejo de mudança que ele representou.

No País onde a tradição político-partidária é frágil e fragmentada, uma eleição traz sempre no seu desenvolvimento algumas ilusões e, consequentemente, decepções sobre o efeito dos resultados e sua importância para o futuro das relações políticas da sociedade. Entre essas utopias está a possibilidade de renovação, não só dos atores, mas principalmente no arejamento e na forma de fazer política. Nesse quesito o pleito de 2018 foi amplamente contemplado, a Câmara Federal tem 243 novos eleitos, destes, cerca de 118 neófitos. No Senado das 54 vagas em disputa, apenas 8 foram ocupadas por candidatos que buscaram a reeleição (32), o que representa uma forte renovação, no que diz respeito a quantidade de novos atores que se inseriram no novo cenário político nacional. No campo político partidário essa ampliação também se faz presente, com o esvaziamento dos partidos de centro, principalmente PSDB e MDB que perderam um terço de seus deputados, e o aumento dos partidos de direita, representado pelo crescimento do PSL que elegeu 52 deputados e 4 senadores e o DEM que ressurgiu das cinzas e mais um grupo de pequenas siglas que juntas formarão a principal força da Câmara com cerca de 260 deputados.

O novo Congresso será ao mesmo tempo mais jovem, plural, diversificado e mais retrógrado. Seguramente o mais conservador da redemocratização para cá, muitas celebridades, policiais, evangélicos e ampliarão a força das bancadas do Boi, Bala e Bíblia que serão base do governo. n

Francisco Moreira Ribeiro

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