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Jornal

Ruído prejudicial à reforma

11/01/2019 01:30:00
Embora considere ainda prematuro assegurar que a economia irá, efetivamente, consolidar um ponto de inflexão à derrocada da trajetória que vinha seguindo no governo Dilma, os primeiros sinais da equipe econômica de implantação de reformas e abertura econômica do País geram boas expectativas futuras sobre diversos indicadores econômicos, como aumento da produtividade, redução do desemprego, tudo isso dentro de uma agenda ortodoxa de controle fiscal.

 

Entretanto, Guedes e Bolsonaro precisam azeitar melhor seus discursos. O ministro vai na direção, por exemplo, de uma reforma previdenciária mais ampla e profunda, enquanto o novo presidente acena com uma idade mínima de aposentadoria inferior à que está em discussão no Congresso. Estes desencontros mostram dois aspectos: primeiro, as ideias ainda não passam de discurso, uma vez que Guedes não explicou como será implementada a reforma, o período de transição etc.; segundo, Bolsonaro não está disposto a sair do palanque. Esta confusão inicial traz um ruído desnecessário para a votação deste tema, que será a coluna vertebral da política fiscal no médio prazo.

 

Outro ponto que poderá dar um fôlego fiscal e gerar aumento de eficiência dos serviços governamentais é a privatização de estatais. Nesta linha, por exemplo, a Caixa Econômica já mostrou que pretende manter o foco no FGTS e abrir capital de subsidiárias. Em outros casos, permitir a existência de concorrência poderá elevar a eficiência de estatais, como no setor financeiro e de petróleo.

 

Um ponto negativo no discurso do ministro é a ideia de que a economia de mercado irá gerar inclusão social. Embora concorde que o Estado não deva ser o motor do crescimento, claramente, a trajetória de eficiência econômica não necessariamente leva a um ótimo social. Ou seja, a economia de mercado em si não levará à redução das desigualdades sociais.

 

Portanto, as intenções e as expectativas econômicas com a nova equipe são boas. O Brasil já havia alterado a trajetória recessiva durante o governo Temer, mas precisa consolidar esta posição com controle de gastos, uma reforma previdenciária inteligível e efetiva e um plano de privatizações bem elaborado. Para isto, Bolsonaro precisa falar menos e reconhecer, como o fez durante a campanha, sua ignorância no que tange à economia. 

 

Alesandra Benevides 

alesandrab@gmail.com 

Doutora em Economia e coordenadora do curso de Ciências Econômicas (UFC - Campus de Sobral)

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