PUBLICIDADE
Jornal

Direito e Literatura

09/01/2019 01:30:00

O Direito cuida das relações jurídicas entre pessoas. Não só, também questões do meio ambiente, direito dos animais, dentre outras. A Literatura é mais livre, forma de dizer o mundo que pode imitar a realidade humana, ou transcender pela mente criativa do escritor. Não há dúvida que o Direito tem muito que se engrandecer com o jurista que aprecia a arte literária, pois muito se conhece da natureza humana através do texto literário, que por mais surreal que seja asperge peculiaridades do ser humano. Assim, quem sendo da área do Direito se deleita com a Literatura, sai na frente da compreensão da ¨anima¨ humana e via de consequência qualifica-se para lidar com a Ciência do Direito, seja qual for o ramo a que se dedique. Isso sem se falar na riqueza vocabular alargada, que vem, ipso facto, da constante leitura do texto literário, o que facilita escrita e fala, ferramentas imprescindíveis para o profissional do Direito, obtendo agilidade de compreensão. (Há pesquisas que demonstram que quem lê acaba por vir a ser mais inteligente).

 

Na literatura brasileira, quanto não foi mostrado pelo Bruxo do Cosme Velho (Machado de Assis), com sua ironia marcante, que há razões para que se fique casmurro, pelo que o passar da vida pode aprontar, posto que para Bentinho sofrera a traição de sua amada!? E o que dizer de Shakespeare, que mostra o sentimento do ciúme doentio de Otelo, em prejuízo de Desdêmona? E aquele que só age por interesse, querendo tirar vantagem em tudo? Dele nos fala Molière, com seu Tartufo, que era az em ludibriar, enganar e se passar por quem não era em sua essência. Já a mediocridade e convencionalidade dos políticos portugueses foi estampada no personagem Acácio, na obra ¨O Primo Basílio¨, de Eça de Queiroz.

 

Nesse tempo de fake news, que leva muitos, por boa-fé, a se iludir, ou demonizando, ou santificando quem quer que o algoritmo determine, talvez fosse o caso não só do jurista, mas do cidadão brasileiro se escudar na boa literatura, como forma de libertação!

 

Emmanuel Furtado

etfurtado@uol.com.br

Desembargador do TRT e professor da UFC 

 

TAGS