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Jornal

Até Paulo Freire?

21/01/2019 01:30:00

Como patrono da educação brasileira, a figura franzina e amorosa de Paulo Freire está eternizada em singelo mosaico na Esplanada dos Ministérios, em frente ao Ministério da Educação.

 

Talvez, seja ele, o único educador brasileiro mundialmente conhecido. Suas ideias circulam e persistem sendo difundidas nos mais diversos recantos do planeta. Universidades e organizações renomadas abrigam centros de estudos sobre sua obra, nos Estados Unidos, Canadá, Finlândia, Alemanha, Áustria, Inglaterra, Irlanda, Portugal, Espanha e Brasil.

 

Freire, educador de origem católica, professor titular da Universidade Federal de Pernambuco, tornou-se inicialmente conhecido pelo método de alfabetização de adultos, desenvolvido em Angicos, no Rio Grande do Norte, no início dos anos sessenta do século XX. De uma experiência piloto, passou a ser adotada pelo Ministério da Educação, nos idos da curta presidência de João Goulart. Embora as iniciativas de educação de adultos tenham sofrido inflexão de rumos durante os governos militares, o método não apenas tornou-se internacionalmente conhecido como foi adotado em diversos países. O principio das "palavras geradoras" e dos "círculos de cultura" passaram a integrar iniciativas as mais diversas no campo da pedagogia crítica. Com o fim do regime de exceção, as ideias de Freire, nunca de fato esquecidas, voltam a ser referência essencial para a educação brasileira.

 

Pois bem. A despeito de sua contribuição para a educação contemporânea, fala-se em banir as ideias de Pauto Freire do pensamento pedagógico brasileiro. Como se isto fosse possível. Defensores de tal posição parecem esquecer que governos e pessoas passam. Ideias permanecem.

 

Ao contemplar com pesar a funesta ameaça que ronda a memória do criador de clássicos contemporâneos da educação como "Educação como Prática de Liberdade" e "Pedagogia do Oprimido", me ocorre uma questão prosaica: o que é mesmo que vão fazer com o mosaico? A imagem de golpes de martelo a tesouros mundiais perpetrados por Talibãs pode não estar tão distante quanto se possa supor.

 

Sofia Lerche Vieira

sofialerche@gmail.com

Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e pesquisadora do CNPq

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