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Jornal

A economia da crise

17/01/2019 01:30:00
Em maio do ano passado, a greve dos caminhoneiros paralisou o País, restringindo o fornecimento de insumos às indústrias e de itens de consumo às cidades, com graves consequências econômicas. Os prejuízos daquele evento repercutiram nos meses seguintes, mostrando como crises conjunturais podem afetar o funcionamento estrutural da economia e como as redes de suprimento se baseiam em equilíbrios delicados.

 

Atualmente vivemos uma grave crise de segurança pública no Ceará, derivada de uma onda de violência sem precedentes, que limita a liberdade de locomoção dos cidadãos e traz uma série de ameaças à economia local. Além de espalhar o medo, os ataques a prédios e infraestruturas públicas prejudicaram o fornecimento de serviços essenciais, como a coleta de lixo, a entrega de correspondências e ameaçaram o funcionamento normal das cidades.

 

Assim como a greve dos caminhoneiros, a atual crise de violência é um evento exógeno que muda a normalidade da atividade econômica e revela uma série de fragilidades do complexo sistema de equilíbrio dinâmico de nossas cidades, com inevitáveis prejuízos econômicos.

 

Houveram perdas patrimoniais, de veículos, imóveis e bens públicos danificados, prejuízos econômicos, com a redução da atividade do comércio e da indústria e sérios danos à imagem do estado como destino turístico, tendo em vista a ampla repercussão do evento e a farta distribuição de imagens na grande mídia e em redes sociais. O efeito de tais perdas repercutirá nas estatísticas econômicas nos próximos meses e será relativamente fácil mensurar a perda econômica imediata.

 

Além disso, a mudança na rotina do cidadão, que ficou assustado com a proximidade da violência e acuado com o toque de recolher traz uma enorme perda para a qualidade de vida dos que aqui residem. O medo alimenta a tensão e prejudica a saúde coletiva, com graves impactos de médio e longo prazo na nossa resiliência. Essa perda, se efetivada, será de difícil mensuração e reparação e será a cicatriz mais profunda desta ferida ainda aberta.

 

Essas questões precisarão ser trabalhadas para que o prejuízo dessa crise possa ser minimizado, mantendo o Ceará como um lugar excelente para viver, investir e visitar.

 

Alex Araújo
a_araujo@uol.com.br

Economista
 

 

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