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O futuro é logo aí

01/02/2019 03:48:27
Beatriz Cavalcante
beatrizcavalcante@opovo.com.br
Jornalista do O POVO
Beatriz Cavalcante beatrizcavalcante@opovo.com.br Jornalista do O POVO

O discurso sobre educação também deveria incluir o tema finanças. Sempre é tempo para começar a se organizar e se preparar para a velhice.

Pensar no futuro, no hoje, é ainda mais essencial quando há muitas regras para serem mudadas, como a da reforma da Previdência.

Ocorre que a população está mais velha. A expectativa de vida vem crescendo. A natalidade está em baixa. Um dos impactos é na aposentadoria.

Pelo sistema que o Brasil segue hoje, o de repartição, os trabalhadores ativos no mercado de trabalho bancam, por meio de um fundo único, a aposentadoria dos inativos. Porém, o modelo se mostrou insustentável com a mudança de padrão mundial. Mais idosos, menos jovens.

No Brasil, são R$ 180 bilhões de déficit previdenciário para dar conta da aposentadoria de 30 milhões de brasileiros e o restante (R$ 80 bilhões) para pouco mais de um milhão de servidores públicos federais.

A tendência é que, mesmo que se mude para um modelo híbrido do sistema previdenciário, com um pilar de proteção bancado pelo governo, e o atual de repartição, o de capitalização vai abranger boa parte da população.

Ele funciona como uma poupança individual. O trabalhador paga a aposentadoria do próprio bolso mensalmente, podendo haver ainda a contribuição patronal (empresa ou governo). Uma empresa privada pode administrar o dinheiro, investindo no mercado financeiro.

O sistema, porém, não se mostrou eficiente no Chile, pois a poupança chegava a ter um valor bastante reduzido após a saída do mercado de trabalho e as distorções tiveram de ser corrigidas.

Portanto, a verdade é que, quem pode, deveria recorrer a investimentos outros. Além disso, as escolas públicas e privadas devem investir em educação financeira.

O resultado seria visto no longo prazo. Mas as gerações futuras teriam mais noção de como usar o dinheiro de maneira sustentável, não importa a classe social. É importante também nos desgarrarmos do governo. Claro, nem todos podem. Ainda há muitas desigualdades. Mas o futuro é logo aí. n

Beatriz Cavalcante

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