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Jornal

Ao poeta

01/02/2019 03:59:05

O poeta de noites claras e dias escuros. O poeta que diverte todos e se tranca na arte e em um "Mundo vasto mundo", solitário? Alguns diriam que sim. Eu já digo que não. Pois esse mesmo poeta quieto é o que faz pessoas rirem, o poeta que prega literatura, é o mesmo que chora por ela ser desvalorizada. Essa cultura que é desvalorizada por uma juventude apartada, por um tempo carente, desajustado, desestabilizado, e serão eles os mesmos desinformados de alguns anos que virão.

O poeta que, ao invés de escrever poesia, faz contas em sua escrivaninha, reajustando seus cálculos. Suas estrelinhas não-lineares chocam o público que achas que é pequeno de maneira que não se diz com palavras. O poeta de linhas líricas. O mais belo de muitos poetas, o poeta de corpo negro e de uma inteligente inalcançável, o poeta que grita, o poeta que adquire sua própria literatura por simplesmente viver em um país onde colocam no esgoto toda a cultura, onde o que te faz pensar é descartável, é banal, toda a literatura.

O poeta que ao invés de estar lançando mais um de seus exemplares, está deitado à noite pensando como fará para consertar sua limiar. O poeta que ao invés de se preocupar somente com a "tal" da poesia, está sentado no sofá ouvindo "Love Of My Life" pensando como a vida nos faz pagar com juros o que nem se sabe está devendo. n

Adryelem Pessoa

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