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Jornal

#WeRemember

01/02/2019 03:55:11

Quando estive há alguns anos em Berlim, fazia parte do roteiro a visita ao Museu do Holocausto. Eu não queria ir. As cenas dos horrores praticados pelos nazistas na Segunda Guerra sempre me deprimiram. Eu preferia fugir disso e confesso que, durante muito tempo, eu não entendia por que os alemães não colocavam uma pedra sobre esse passado triste e vergonhoso. Mas, a verdade é que o mundo não pode esquecer.

Há um ano, o secretário-geral da ONU, António Guterres, em discurso no ato do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, chamou a atenção do mundo para o preocupante crescimento dos grupos neonazistas e sua influência junto a movimentos e partidos políticos. Segundo ele, "a facilidade do uso da rede permite que grupos marginais ganhem visibilidade. O anonimato na internet propicia a livre ostentação do racismo. E contas maliciosas automatizadas nas redes sociais, conhecidas como 'bots', propagam a doença para ainda mais longe".

Guterres alerta que grupos neonazistas estão suavizando sua imagem, para trazerem suas ideias para o centro do debate político e se alinharem com a extrema-direita. Isso expande os limites do diálogo aceitável, por meio de uma "simbiose" com forças políticas em busca de votos e projeção rápida nas redes sociais.

O resultado disso é percebido no crescimento da extrema-direita nas eleições de vários países, utilizando os mesmos lemas dos anos 1930, quando Hitler conquistou o poder com o discurso nacionalista "Alemanha acima de todos".

O fato é que o mundo está esquecendo o Holocausto e, com ele, o perigo de empoderar discursos de ódio. Recente pesquisa feita para a CNN revelou que um terço dos europeus já não sabe nada ou mal ouviu falar do extermínio de mais de seis milhões de judeus pelo nazismo.

A campanha internacional #WeRemember foi lançada no começo deste ano para resgatar a história que não pode ser esquecida. Relativizar o discurso de ódio é arriscar entrar numa linha tênue e perigosa para a humanidade. A memória do Holocausto nos ensina os limites para o território dos valores que são inegociáveis para um mundo habitado por humanos. n

Eliziane Colares

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