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Jornal

Profissionalismo x Imprensa com Partido

Virou o ano. Bolsonaro é presidente. Se esperaria que a imprensa livre informasse a população acerca dos principais atos e projetos do Governo, com análises críticas inteligentes. Mas, de repente, assuntos menores dominaram.

Faça retrospecto e verá que destaques desses 21 dias foram: o azul e rosa das roupas; a declaração equivocada sobre IOF; a nomeação de filho do vice-presidente, funcionário de carreira (técnico, portanto) para cargo na entidade em que trabalha. Tais tópicos ganharam projeção imensa. Merecem publicidade? Uns sim, outros não. De todo modo, não na proporção que foi dada. Ocuparam espaço de pautas objetivamente mais robustas, que foram preteridas.

Por exemplo, o orçamento de cada ministério e as políticas públicas planejadas. Depois da posse, quase não houve repercussão da agenda que vai pautar o Governo.

Constata-se, assim, que parte da imprensa, engajada, trabalha como se ainda estivéssemos em processo eleitoral, quando buscavam retratar as candidaturas segundo o viés ideológico preferencial. Nesse sentido, descolavam-se dos fatos para montar versões e narrativas contrárias àquele que acabou vencendo.

Tal estratégia foi neutralizada pelas redes sociais, pela mídia paralela, miúda e capilar, e pela comunicação por WhatsApp, canais por onde circulou a visão e opinião da população, bloqueadas na grande mídia.

Ao final, o contraste entre a mídia anti-Bolsonaro e o resultado das urnas fragilizou a "credibilidade" dos veículos que foram reféns dos "engajados", interessados antes em fazer campanha do que retratar e apurar eventos com isenção, o que não significa neutralidade crítica.

Esse seria momento oportuno para os veículos prestigiarem jornalistas que não se submetem à cartilha da "Imprensa com Partido", arremedo de imprensa livre, reduzida ao papel de publicidade e marketing partidários, distante da opinião pública e da função primordial de baluarte da democracia.

Arrisco que a credibilidade da grande imprensa não voltará a crescer enquanto não houver equilíbrio de notícias e reportagens de efetivo impacto e interesse objetivo, sem o filtro partidário. Enquanto isso, cresce mais e mais a rede paralela de comunicação, à revelia da grande mídia, para onde migra, de modo difuso, o papel que já foi da imprensa. n

Antonio Jorge Pereira Júnior

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