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O escreviver cá pelo Sertão

Cá estou, a apresentar meu relato de experiência de criação artística. Acredito que toda prática é única, e cada um vai encontrando a sua com o passar do tempo, comigo foi assim - experimentei de tudo o que pude, e do "novo", que a cada dia vem.

Um ponto fundamental para mim, foi o vagar entre várias vertentes de arte, com o olhar profundo de pesquisa. Logo, o teatro foi fundamental para o alicerce de minha poesia; as artes visuais, fundamentais para que minha visão de direção teatral se apurasse; a música, fundamental ao processo rítmico; e a poesia circulava em função de tudo isso.

Ao longo do tempo, passeei por vários gêneros literários: lancei crônicas, rabisquei trechos de romance, e fiquei, de fato, no versejar da poesia e dramaturgia. Hoje, em meu processo de criação/construção literária, dividiria dois momentos: o estalo da ideia e seu transpassar para 'a realidade'; e o lapidar dentro dela. O primeiro, mais difícil de explicar, vem de início por um porquê de uma ideia (imagem, cena ou um pensar filosófico arrebatador). Logo após, o debulhar da mesma, que se abrirá com todo o repertório de elementos presentes, e daqui, parte necessária do processo de consciência da construção, onde cada obra e cada autor tem a sua. O segundo, é um momento bem mais de pesquisa e análise, de transpiração! Preciso sempre de uma opinião externa. Encaminho para amigos, colegas, e a partir disso, a obra se fortalece ou esmorece, e por vezes ganha novos rumos. É um processo de acreditar sempre, e duvidar mais ainda.

Mas hoje o fazer literário vai muito além do escrever, o escritor necessita estar presente na vida real. Eu, enquanto sertanejo, fora de um grande centro, sinto dificuldades (não entrarei no mérito se mais complexas aos de quem esteja dentro de um), a principal: o de rasgar fronteiras: de início a cidade natal, após a macrorregião, pra assim chegar à capital; a dificuldade de espaços em eventos, na imprensa, e principalmente, a falta de círculos de convivência artística acabam por dificultar um tanto esse caminhar, reflexos desse pontuar geográfico, coisa que felizmente a internet ao longo da última década veio parcialmente quebrar: diminuir distâncias, principalmente, afetivas.

E assim, cá estou, neste meu escreviver, nestas bandas do Sertão, por vezes tão longe, e sempre tão perto da gente. n

Mailson Furtado

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