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Jornal

Efemérides

Jornalistas adoram efemérides. Datas fechadas são ótimas oportunidades para relembrar fatos, recontar histórias, buscar ineditismo, lembrar personagens, buscar algo novo para o que já foi falado muitas vezes. E quanto mais redondinha for essa data mais forte será essa efeméride.

2019 traz três efemérides que falam muito forte para mim. Começa que são meus 40 anos - costumo dizer que são 22. Quatro décadas de sonho, sangue e América do Sul, pra não perder o clichê da citação. No dia do meu aniversário também celebro 10 anos de O POVO. Curiosamente, minha primeira matéria falava sobre a morte - uma exposição fotográfica sobre a finitude.

Nesses 10 anos, tive oportunidade de realizar sonhos que, 10 anos antes, seriam irrealizáveis. Ainda mais para alguém que decidiu por essa profissão uma semana antes do vestibular. Frustrei o desejo antigo de ser psicólogo quando soube que o curso de Comunicação Social tinha disciplina de Fotografia. De lá pra cá, tive uma ou duas fotos publicadas e acabei descobrindo que falar sobre música era profissão.

E é na música que fui mais feliz. Estar frente a frente com Maria Bethânia e compreender sua relação com o mundo. Entrar pela madrugada conversando com Simone (Então é Natal) num restaurante. Descobrir que Elza Soares fala baixo fora do palco. Tietar Erasmo Carlos. Passar fome na casa da Ana Carolina. Ouvir elogios de Gilberto Gil, Djavan e Ed Motta e acreditar que foram sinceros (seriam assim com todos?). Assistir a um show de McCoy Tyner sentado no chão ao lado de Dado Villa-Lobos. Ouvir a risada de Arnaldo Baptista.

Essas histórias foram contadas, de diversas formas, no Vida & Arte. É neste caderno, que este ano completa 30 anos (eis a terceira efeméride), que eu busco - diariamente - um jeito novo de contar novas e velhas histórias. Quando muito se discute o papel da crítica, da cultura e do jornal impresso, me fascina o esforço cotidiano de uma equipe para confirmar sua relevância. São 10 anos ininterruptos de jornalismo e Vida & Arte, e continuo repetindo a mesma frase: eu gosto muito e me orgulho do que faço. n

Marcos Sampaio

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