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Jornal

O primeiro desafio de um novo governo

O governo federal, que recém tomou posse, há de ter extraído do episódio da última sexta-feira as lições necessárias acerca da importância de adotar os cuidados exigidos no processo de comunicação dos seus atos. Especialmente em áreas sensíveis, como a economia, a sociedade termina por pagar um preço alto por ruídos como o que se deu a partir de declaração do presidente Jair Bolsonaro acerca de um aumento de alíquota no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Menos mal que, posteriormente, manifestações do secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, e do ministro-chefe da Casa Civil, Ônyx Lorenzoni, repuseram as coisas em seu termos corretos, esclarecendo haver apenas estudos acerca do tema e evitando um impacto maior sobre o mercado financeiro ao longo daquele dia.

A vitória de Bolsonaro tem muito a ver com a confiança do eleitor na capacidade de Paulo Guedes, desde o primeiro momento seu assessor econômico principal, uma espécie de fiador da candidatura para o mercado, de dar resposta aos grandes desafios na área que esperariam o governo eleito, qualquer que fosse ele. Especialmente no momento de chegada, quando o novo ministro da Economia e sua equipe ainda tentam tomar pé do quadro real, qualquer dificuldade extra que se crie funcionará como dificultador da implementação de mudanças que, mais do que esperadas, são necessárias à retomada a níveis normais do ritmo dos negócios no Brasil.

O poder de comunicação que tem o presidente, dentro de um estilo peculiar e eficiente que desenvolveu para conversar com seu público, exige agora uma adequação relacionada às suas novas responsabilidades. Uma declaração dele passou a ter um peso muito mais ampliado e assim precisará ser considerada, sempre, antes de ir a público, diante dos seus efeitos mais gerais, dos impactos nos negócios, enfim, das consequências inevitáveis para além de um pensamento político direcionado. Há um fluxo da informação oficial que deve ser respeitado, como forma de mediar seus efeitos na perspectiva do que é de interesse do próprio governo.

Claro que tratando-se de uma gestão que ainda se instala, com menos de uma semana efetiva de trabalho, é necessário que se relativize erros eventuais que estejam sendo cometidos. Desde que, porém, de outra parte, haja capacidade de aprender com cada um deles na perspectiva de evitar repetições futuras, especialmente, reitere-se, considerando as sensibilidades maiores de determinadas áreas às situações em que autoridades públicas apareçam batendo cabeça. Nesse momento crucial, o time que Bolsonaro escolheu para recolocar o País no caminho do crescimento econômico precisa da tranquilidade mais absoluta para construir um diagnóstico preciso e encaminhar as soluções com racionalidade e precisão. n

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