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O novo liberalismo da economia brasileira

19/03/2019 00:02:14
Henrique Marinho
Economista e membro da diretoria do Ibef-CE
Henrique Marinho Economista e membro da diretoria do Ibef-CE (Foto: Henrique Marinho)

O novo governo que tomou posse no início do ano começa se autodenominando de liberal, com o projeto de uma política "liberal democrata", em antítese aos governos anteriores que foram denominados pelo presidente de socialistas. Encerra-se, então, o ciclo de políticas de centro esquerda, de intensa intervenção do Estado para um novo ciclo de políticas de centro direita com ampla liberdade de mercado para retomada do crescimento econômico. Essa reforma do Estado torna-o menos intervencionista, praticando privatizações de estatais, desregulamentando a economia, simplificando e reduzindo impostos, descentralizando os recursos para estados e municípios e controlando gastos do governo, principalmente com a reforma previdenciária.

De imediato, o "mercado" respondeu positivamente, refletindo em resultados positivos da Bolsa de Valores e na redução da taxa de câmbio. Para analisarmos as expectativas da economia brasileira para os próximos anos, precisamos inicialmente abordar os cenários que estarão influenciando a economia nesse período, quais sejam: o cenário externo; as expectativas quanto ao sucesso das propostas de reformas prometidas e necessárias e, finalmente, como o mercado poderá reagir para fazer a economia mostrar desempenho mais favorável nos próximos anos.

Para o cenário externo, o Fundo Monetário Internacional (FMI) em seu mais recente relatório sobre perspectivas econômicas, reduziu a previsão de crescimento global para 2019, principalmente em economias desenvolvidas que provavelmente reduzirá o comércio internacional, contribuindo, ainda, a elevação das tensões sobre a guerra comercial entre Estados Unidos e China. Quanto ao cenário interno, as incertezas sobre o peso político do novo governo para promover as reformas previdenciária e tributária prometidas, ainda geram incertezas pela forma como o presidente Jair Bolsonaro, com seu ímpeto autoritário, conduzirá seu relacionamento com o Congresso Nacional.

Some-se, ainda, a nova governança com o "Super Ministro" da Economia, que terá à frente múltiplas funções, sendo um condutor, também de ímpeto autoritário. Praticar o liberalismo em países desenvolvidos ou com oportunidades de riqueza mais igualitárias é diferente de praticar o laissez-faire em países com elevada desigualdade de renda. Vamos ver no que dá. n

Henrique Marinho

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