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Editorial. Brasileiros na pobreza

01:30 | 06/12/2018

A divulgação de dois estudos, esta semana, mostra que alguns dos problemas mais agudos do Brasil continuam a desafiar governos, exigindo planejamento a longo prazo, mas cujas políticas têm de ser iniciada com urgência.

 

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem pesquisa mostrando que o número de pobres aumentou em dois milhões de pessoas no ano de 2017, atingindo um contingente de 54,8 milhões de brasileiros, equivalente a 26,5% da população. Esse índice era de 25,7% em 2016. O IBGE atribui o aumento do número de pobres à crise econômica e ao aumento da taxa de desemprego no ano passado. Houve também acréscimo de 13% na pobreza extrema, com 15,3 milhões de pessoas nessa situação. 

 

Pelo critério do Banco Mundial - o mesmo utilizado pelo IBGE - a linha de pobreza é definida por rendimento inferior a US$ 5,5/dia (R$ 406 por mês). A situação de extrema pobreza define quem dispõe de menos de US$ 1,90 por dia ou R$ 140 por mês. Resumindo, mais de ¼ dos brasileiros - um em cada quatro - vivem abaixo da linha de pobreza.

 

A outra face do mesmo problema é a desigualdade extrema no País, qual seja, a grande distância que separa pobres e ricos. Relatório da Oxfam Brasil, também divulgado esta semana, revela que a redução na desigualdade de renda estancou pela primeira vez em 15 anos, conforme análise dos anos 2016 e 2017. A Oxfam aponta os mesmos problemas que o IBGE para as adversidades verificadas - crise econômica, recessão e desemprego -, mas também relaciona o desequilíbrio nas contas dos governos, o que dificulta investimentos e políticas públicas voltadas para as populações mais pobres.

 

A diferença entre as regiões reflete-se diretamente nos seus habitantes.  Quase a metade (44,8%) dos brasileiros pobres está no Nordeste, onde também se concentra o maior percentual da população em extrema pobreza. 

 

Assim, já passou da hora de reconhecer que as enormes desigualdades, tanto regionais, quanto entre pessoas é um entrave ao desenvolvimento do País, o que prejudica a todos, ainda que a maior carga recaia sobre os setores mais vulneráveis.

 

É preciso, portanto, enfrentar esses problemas com vigor. Entre as medidas necessárias para reativar a economia estão a reforma da Previdência, persistência no combate à corrupção, acabar com os privilégios corporativos e uma reforma tributária que, entre outras medidas, reduza impostos sobre bens e serviços, de modo a aliviar o setor produtivo e também as classes média e pobre. São temas complexos, sem dúvida, porém não intransponíveis.