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A bolsa de Bolsonaro
Opinião

A bolsa de Bolsonaro

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Tipo Notícia

O presidente eleito não será operado para retirada da bolsa de colostomia, e sim o fechamento desta. Senão vejamos.

 

A exteriorização no abdômen de uma alça intestinal aberta, quando perfurada acidentalmente, denomina-se colostomia (de "cólons" = intestino grosso e "estoma" = boca). Pratica-se em operações eletivas (não emergenciais), ou, nesse caso, para superficializar feridas traumáticas nos cólons. Aqui pela contraindicação de sua costura (sutura) imediata, estando o abdômen já infectado por vazamento fecal.

 

Terminando intervenções cirúrgicas programadas, a colostomia em alça diz-se derivativa, pois desvia o trânsito intestinal protegendo área recém-suturada. Em ambas circunstâncias quer-se passageira, temporária, a ser fechada (retirada) após tempo variável.

 

Para que os dejetos digestivos não jorrem sobre a pele, coletamo-los em uma bolsa apropriada, sendo tal retirada, isto é, trocada sempre que repleta.

 

A abertura no intestino, assim como sua passagem por onde emerge (sai), serão ocluídas quando necessário, mediante suturas antes de sua devolução à cavidade abdominal.

 

Para tanto servem e comportam-se assim as colostomias efêmeras, transitórias, como a do presidente escolhido, ungido pelo povo brasileiro.

 

Ocasiões existem quando nos obrigamos a fazer uma colostomia definitiva, permanente. Disto são exemplos alguns casos de câncer do reto, e os traumatismos perineais mutilantes, acidentais, com avulsão (arrancamento) de sua musculatura esfincteriana.

 

A colostomia definitiva, onde o ânus é implantado no abdômen - também descrito como artificial, "contra natura", preternatural - costuma acarretar transtornos, físicos, funcionais e emocionais. Para bem preservá-los (acompanhá-los) fundamos em Fortaleza, em setembro de 1975, o primeiro Clube de Ostomizados do Brasil.

 

Recomendamos a leitura de nossas monografias "Colostomias & Colostomizados" EUFC, 1981, e "Síndrome pós-colostomia", 1989.

 

Pedro HenriqueSaraiva Leão  

pedrohsaraivaleao@hotmail.com

médico e professor Emérito da UFC 
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