PUBLICIDADE
VERSÃO IMPRESSA

Editorial. Freio em Donald Trump

01:30 | 09/11/2018

A vitória da oposição democrata americana na Câmara dos Representantes, na última terça feira (6), chama a atenção dos observadores para os efeitos que certamente provocarão na forma de condução da administração Donald Trump - uma das mais polêmicas já registradas na história dos Estados Unidos. A virada, no entanto, foi amenizada pela manutenção - e até ampliação - da maioria republicana no Senado Federal. Ou seja, apesar de significar um percalço para o atual ocupante da Casa Branca, reduzindo sua margem de manobra, o avanço da oposição não concretizou a "onda azul" (democrata), tão esperada pelos adversários.

 

A imprevisibilidade comportamental de Trump não permite estimar, desde já, sua reação aos limites que lhe serão impostos pela nova correlação política. Não há como ele se furtar ao imperativo de ter de negociar com a oposição. De outro lado, não há nada de inédito nesse tipo de configuração política: raríssimos presidentes americanos conseguiram ser vitoriosos na eleição legislativa que ocorre na primeira metade de seu mandato (o mesmo aconteceu com Barack Obama).

 

Nos EUA o mandato presidencial é de quatro anos, e do Legislativo de dois - a totalidade da Câmara de Representantes e parte do Senado Federal. Em poucas vezes, na história contemporânea, o presidente governou com maioria simultânea nas duas casas legislativas. Uma delas foi com o republicano George W. Bush, em 2002, num contexto excepcional marcado pelo atentado de 11 de Setembro. Antes disso, só havia ocorrido em 1934, no quadro da Grande Depressão e sob a presidência de Franklin D. Roosevelt. Com isso, os americanos parecem ter o cuidado de manter o presidente da República sob controle, já que seus poderes são, potencialmente, descomunais.

 

O certo é que ao assumir em janeiro a maioria do plenário, os democratas terão o controle de todos os comitês da Câmara, e isso lhes dará um enorme poder. Poderão, por exemplo, atrapalhar o trâmite dos projetos de interesse do Executivo - tais como o avanço de medidas restritivas à imigração e o muro na fronteira com o México -, ou impedir o desmantelo da reforma de saúde de Obama. Mais grave ainda: ampliar investigações contra Trump, em especial sobre a suspeita de conluio com autoridades russas para favorecê-lo na disputa de 2016 contra Hillary Clinton e, em última instância, tentar seu impeachment. Este último, bem improvável.

 

O mais provável é que se dediquem apenas a desgastá-lo e bloquear suas inciativas unilaterais no campo externo e os retrocessos sociais, no âmbito interno, pavimentando o retorno do Partido Democrata ao poder, nas eleições de 2020. A ver.