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Na contramão da História

01:30 | 13/10/2018
Dia desses, li um artigo da atriz e escritora Fernanda Torres no qual ela narrava a luta pessoal que trava há anos com a filosofia. No texto, abordava a dificuldade de encarar algumas leituras que parecem prescindir de outras e como as larga, para depois retomá-las. Senti-me em plena identificação. Há anos que luto para ler Espinosa. Comecei com Ética e abandonei a leitura até o lançamento de A nervura do real, de Marilena Chauí, que eu dei início na esperança de retornar ao próprio filósofo. Não avancei muito. Isso até semana passada, quando li A tirania do amor, de Cristóvão Tezza.

 

Foi o novo livro de Tezza que me abriu uma nova vontade de retornar Espinosa, desta vez com determinação. O personagem central de A tirania do amor é um economista, Otávio Espinhosa que, no pior de sua vida, decide abandonar por completo a vida sexual. Criado apenas pelo pai, Espinhosa é um gênio da matemática. Consegue fazer de cabeça qualquer operação complexa do tipo a raiz quadrada de qualquer número absurdo. Quando jovem, escrevera um livro de autoajuda, A Matemática da Vida, assumindo um pseudônimo de Kelvin Oliva. Numa só tacada, o autor aborda o imbróglio político em vigor no Brasil e os dilemas das elites interesseiras que nos regem, tudo isso sem perder o bom humor e ainda com um toque filosófico.

 

Esse Espinhosa de ficção me fez querer voltar a Espinosa de verdade, o filósofo escorraçado da própria comunidade judaica, em 1656, aos 23 anos, por ousar ter pensamentos próprios sobre Deus e religião. Isso aconteceu bem antes dele escrever Ética e o Tratado Teológico-Político, esse último, sim, foi o que motivou um escarcéu em nível ainda maior, mesmo que tenha sido publicado anonimamente. Se a excomunhão tinha feito dele um homem que devia ser evitado e combatido por suas ideias nefastas para o povo, após o Tratado, que contém o que hoje chamamos de era secular, tornou-se a bem dizer um verdadeiro inimigo da reunião dos Países Baixos.

 

Desde o último fim de semana, estou às voltas, portanto, com Um livro forjado no inferno, do filósofo Steven Nadler, que se propõe a contar a história da obra que mudou a forma de concebermos e defende a não participação de eclesiásticos nos negócios do Estado e que apresenta uma nova leitura para a Bíblia e o Espinosa chamava de uma verdadeira religião. Era o século XVII, mas enquanto leio sobre o ambiente em que Espinosa viveu, não há como não pensar nos religiosos contemporâneos que insistem em defender um Evangelho que esteja de acordo com o barbarismo em torno da campanha de Bolsonaro.

 

Espinhosa estava frente a frente com os dilemas do seu século: o que fazer com o conservadorismo religioso diante do liberalismo econômico da época. No Brasil de hoje o que temos é uma tentativa de empurrar um falso liberalismo que não respeita as liberdades em nome de um conservadorismo perigoso. O que isso produziu até o momento foi uma violência, um ódio que alguns sequer tentam dissimular, e agressões que não mais se conformam com a retórica beligerante das mídias sociais e que estão extravasando em corpos reais. Espinosa lutou pela liberdade de filosofar. No Brasil, se instalou uma luta surda e cega para que não tenhamos mais tal liberdade, conquistada a duras penas há séculos de construção social e política.

 

Aliás, os discursos em torno do que temos chamado de direita brasileira mais parece uma epidemia de cegueira histórica e social que quer impor pela violência que seja, ou por quaisquer outros métodos um modelo de família, de povo, de País. Estamos visivelmente na contramão da História.

 

Regina Ribeiro 

reginah_ribeiro@yahoo.com.br 

Jornalista do O POVO

 

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