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Mulheres negras em espaços de poder

01:30 | 11/10/2018

Durante a República o sujeito negro fora construído como aquele violento e perigoso, destituído de moral e ética para participar com igualdade em esferas da vida social, econômica e política. Isto guarda relação com a dinâmica de exclusão na sociedade brasileira cujo nexo prioritário é o racismo e o sexismo. Raça, gênero e classe social estruturam opressões que se combinam e se entrecruzam, retraduzindo falhas na disposição de garantia de direitos.

 

O papel da mulher negra nos processos de trabalho, a exploração, a opressão desde a escravidão e a desumanização têm funcionado como mecanismo de controle e dominação. Historicamente essas mulheres sentem dificuldade de ocupar espaços de poder, tendo baixa representatividade política.

 

Porém, elas resistiram e demonstraram fagulhas criativas nessa eleição, pois o número de mulheres negras aumentou nas esferas estaduais e federais. Elas vêm de partidos políticos que reconhecem a importância de incorporarem candidaturas com a pauta de gênero e raça. Embora ainda diminuto, nada mais que uma dúzia de deputadas presentes em alguns estados brasileiros, quando comparado ao percentual existente da população negra no País.

 

A presença de mulheres negras no Parlamento demonstra a presença de setores não tradicionais na política, além de mostrar caminhos e alternativas para a construção de ambiente de efetiva igualdade racial. Podem fortalecer nosso sistema político democrático recente e tão ameaçado. As eleitas aspiram combater o feminicídio e romper com as lógicas opressoras.

 

As saídas para superação das desigualdades sociorraciais não estão apenas no âmbito do privado, o racismo deita raiz nas relações sociais, portanto deve ganhar a dimensão política e pública. Torna-se salutar as candidaturas que tenham o propósito de provocar o deslocamento do olhar e dos lugares ocupados por mulheres negras, demarcando o potencial daquelas que têm o compromisso de desestruturar as manifestações de violência, de autoritarismo e fascismo; ao tempo que propõem um novo pacto civilizatório, garantindo parâmetros para outra condição de vida dessas mulheres nessa sociabilidade.

 

Zelma Madeira 

zelma.madeira@gabgov.ce.gov.br 

Coordenadora Especial de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial e professora do curso de Mestrado em Serviço Social,Trabalho e Questão Social da Uece