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Autismo e empatia

01:30 | 18/07/2018

O Autismo, ou Transtorno do Espectro Autista - TEA, é uma condição que entrou para o hall das deficiências recentemente (cerca de 5 anos). ´


É fato que o número de diagnósticos é crescente. Hoje, dificilmente uma pessoa não conheça um vizinho, amigo, ou mesmo um parente, que tenha um filho nessa condição.


O autismo não tem cara. Ou melhor, não tem característica física que o identifique. Além disso, o transtorno se apresenta num amplo espectro, o que quer dizer que dentre as peculiaridades, há uma diversidade. Assim, nenhum autista tem exatamente as mesmas características que outro.


Muitas pessoas podem não saber que o autismo se apresenta, quase sempre, concomitante a outros diagnósticos, como a deficiência intelectual e a hiperatividade, por exemplo.


O principal aspecto afetado numa pessoa autista é o comportamento social. Sabe aquela criança que balança os braços ou dá pulos sem motivo aparente? Que tem o olhar fixo em algum lugar? Que passa a mão na sua barba mesmo sem te conhecer? Que repete a pergunta que você acabou de lhe fazer? Que se recusa a entrar em algum lugar? Ou que apresenta qualquer comportamento socialmente atípico? Sim, ela pode ser autista.


E tudo o que essa pessoa (e sua família) NÃO precisa é de seu olhar de reprovação ou pena (perguntar se estão precisando de ajuda é uma opção).


Ninguém escolhe ter filho autista. Poderia acontecer com você.

Imagina ter um filho e a cada marco do desenvolvimento infantil constatar que ele não o atingiu; peregrinar por escolas até achar a que “aceite” seu filho; lidar com a exclusão nos mais diversos ambientes (até no familiar); lutar por tratamento adequado; compreender a comunicação utilizada por ele (muitos não são verbais) e mais uma extensa lista de desafios.


Hoje, após cinco anos do diagnóstico, encaro o fato de ter filhos autistas como uma mudança de direção em minha vida.

Aprendi a conviver com o diagnóstico de maneira natural, de frente, enfrentando um dia de cada vez.


Não quero me colocar (e a tantas pessoas) na posição de vítima, longe disso! Gostaria apenas que as pessoas não julgassem o que lhes parece diferente, que se colocassem no lugar do outro. Isso é ter empatia, é ser humano.

 

Fernanda Cavalieri

fernandacavalieri@gmail.com

Pedagoga, presidente da Associação Fortaleza Azul – FAZ

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