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Árbitro de Vídeo: a tecnologia que veio para ficar

01:30 | 31/07/2018

Apesar de já vir sendo testado em campeonatos mundo a fora desde 2016, o Árbitro de Vídeo teve seu batismo de fato na Copa da Rússia, quando o VAR (da siga em inglês Video Assistant Referee) roubou a cena e chamou atenção do planeta, sendo utilizado em mais de 400 lances capitais de partidas, inclusive na marcação de 29 pênaltis. Um deles, na final do torneio, resultando no 2º gol da vitória de 4 a 2 da França sobre a Croácia. Daí se conclui que o novo recurso tecnológico foi o grande legado deixado no Mundial 2018, uma vez que a experiência deixou ótima impressão, abrindo os olhos daqueles que, até então, se mostravam resistentes ao uso dessa tecnologia.

 

É preciso, contudo, lembrar que a adoção do VAR não garante marcações 100% precisas. Há diversas situações no esporte que deixam margem para interpretação, seja pela rapidez, encenação ou intenção dos atletas envolvidos em uma jogada. Futebol tem um forte Q de subjetividade. Os próprios árbitros, como o brasileiro Sandro Meira Ricci, admitem ter errado na Copa, mesmo com o reforço do VAR. Mesmo diante das ressalvas, o Árbitro de Vídeo passou um recado ao mundo da bola: vim pra ficar. E é isso que deve ocorrer.

 

O cenário indica que a tecnologia deve se espalhar de vez pelo mundo. Por aqui, a Confederação Brasileira de Futebol colocou o tema em pauta aos clubes antes do início do Brasileirão deste ano, mas a proposta foi recusada, já que as equipes não aceitaram arcar com as despesas do Árbitro de Vídeo, avaliadas na época em cerca de R$ 1 milhão por ano de cada time. Eis aí o principal empecilho para o VAR pegar de vez no País: a questão financeira, porque profissionais treinados para executar o recurso já existem.

 

Único caminho parece ser a CBF bancar do próprio bolso esse investimento ou encontrar outra forma de viabilizar o VAR. Por ora, a entidade anunciou o uso da tecnologia a partir das quartas de final da Copa do Brasil, que começam nesta quarta-feira. E nos demais campeonatos? E as competições de orçamento menor, como os Estaduais e as Séries C e D, como ficam? Ainda não existem respostas. Ainda deve demorar um pouco para vermos o Árbitro de Vídeo utilizado em todas as competições profissionais do País. O que se não se concebe mais é o futebol sem o auxílio da tecnologia.

 

Bruno Balacó 

brunobalaco@opovo.com.br 

Jornalista do O POVO

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