VERSÃO IMPRESSA

Ainda falta oxigênio para nossas crianças

01:30 | 14/07/2018

Lêda Maria F. Souto

lmfsouto1@gmail.com

Jornalista do O POVO


Quando soubemos que as crianças da província de Chiang Rai, na Tailândia, vitimadas pela “prisão” em uma caverna inundada, após vivenciarem, na escola, dias de planejamento e alegrias para esta excursão, estavam acompanhadas do professor, um ex-monge budista, passamos a entender porque cada criança, mostrada pela televisão, mantinha um olhar e uma postura de serenidade. Sem dúvida, a cultura milenar de seu país, a religiosidade e o testemunho de seus pais já eram ingredientes para possuírem a mente tranquila aquecida pela gratidão de permanecerem vivas. Porém, ali, isso deveria estar se completando, através do professor no exercício amoroso de sua missão, motivando-os para que o coração e a mente estivessem, permanentemente, harmonizados com a certeza que dali sairiam vivos.


Assistia a tudo com esperanças. Veio o envolvimento em ações de solidariedade, orações de vários países, súplicas do papa Francisco, de pastores e religiosos repetindo com seus seguidores preces para aquelas crianças. Surgiam mais planos de salvamento como um “javali selvagem”, o trabalho voluntário de mergulhadores do mundo inteiro, a ação sempre corajosa dos bombeiros. Sentia que o Senhor criador do céu e da terra saberia abrir o caminho, saberia fazer o milagre. Eles praticavam a oração da fé, poderosíssima. Veio “a salvação”.


Nesta alegria de recuperação da vida para as crianças da Tailândia e seu professor precisamos encaminhar o olhar para outros pequeninos pedindo para serem salvos da fome, do abandono, da solidão, dos perigos do mundo, da meteorologia ameaçando banhá-los com a chuva da droga, do analfabetismo, da doença. Rezemos para eles o Pai-Nosso de cada dia nos dai hoje... Nesta frase curtíssima e resumida, “dia” e “hoje” são duas palavras com significados muito próximos. O sentido é magnífico, revelando que a ação do presente é urgente. Por não transformarmos este presente em uma experiência vibrante, consequente, humano, multiplicamos a miséria para os pequeninos, a tristeza, o risco da existência e o desamor permitindo que falte o oxigênio na grande caverna do Brasil, atingindo não 12, mas milhares de crianças.

 

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