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A idiotização se fez cláusula pétrea?

01:30 | 04/07/2018

Eduardo Gibson Martins

edgibson@terra.com.br

Juiz de Direito especializado em Política Estratégica pela UFRJ e pela ESG, mestre em Direito Constitucional Comparado pela Universidade de Samford (EUA).


Governo do idiota, pelo idiota e para o idiota. O genial Nelson Rodrigues diria que numa idiocracia pura só os idiotas da objetividade poderiam governar, já que nada mudariam - e isto por tenaz e objetiva idiotice.


Na Grécia clássica idiotes (daí idiota) era o que não se envolvia com política. Por alguma razão, esse conceito foi se invertendo, até sobrevir a política flagrantemente idiota de hoje, a indicar que precisamos voltar com urgência ao clássico conceito grego.


Nelson dizia que há também o cretino fundamental, “o que tenta deturpar o óbvio ululante”. Logo, uma idiocracia, por ser fundamentalmente cretina, é, também, uma cretinocracia. Sim, se temos a 8ª economia do mundo, o que poderia ser mais idiota e/ou cretino que estarmos em 59º lugar em Leitura, 63º em Ciências e 65º em Matemática num ranking de 70 nações e insistirmos num ensino médio que não muda esse quadro há 10 anos?! É um esforço idiotizante incomparável. Nelson já bradava que “o grande acontecimento do século foi a ascensão espantosa e fulminante do idiota”.


Pacifistas? São 60 mil homicídios por ano! Nelson bem alertava que “outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: — ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina”.


Na idiocracia todo o poder emana do idiota, mas isto graças a ele, eleitor idiota, que só elege cretinos fundamentais, perpetuando o poder da cretinagem e aceitando infinitamente, resoluto, que um elefante branco possa, sim, ser construído - desde que ao preço de dois e com o dinheiro dele, idiota.


Com isso, o que dizer de vetar a prisão após condenação em 2ª instância quando só 1% das decisões são revertidas nas últimas? É zelar por qual presunção, a de inocência ou a de cretinice? Nelson render-se-ia: “Há situações em que até os idiotas perdem a modéstia”.


E assim seguimos, de idiotice em idiotice, até que se alcance a suprema burrice e se firme a pergunta, chamando a chatice: “Eu bem que te disse; não foi, não te disse?”. E o idiota, jamais patriota, seguindo o cretino, que cospe no hino, prossegue arrogante, sem peia nem pejo, tocando a vaca direto pro brejo. Que seja só rima e nunca uma sina.

 

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