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No trânsito, é a educação que transforma de verdade

01:30 | 02/06/2018

O desrespeito às leis de trânsito – e no trânsito - é visível e, muitas vezes, produz reflexos irreversíveis. Quando falamos nele, é possível elencar ações já naturalizadas, como não ligar a seta para movimentar o veículo para outra faixa, e outras causadoras de danos físicos e psicológicos. Aqui, tomo como gancho o ocorrido com Luana Vasconcelos, ciclista urbana de 35 anos que em maio último, em uma manhã que parecia (e deveria) ser mais uma de seu dia a dia, foi atingida pela conversão incorreta de um motorista de transporte coletivo.


A moça, que desde então segue internada no Instituto Doutor José Frota e se reserva junto à família ao direito de dividir a dor “isoladamente”, contou posteriormente em seu perfil de uma rede social que assistiu à cena com lucidez. Para Luana, as consequências, que vão além da amputação de uma das pernas, são para a vida toda. Para um espectador ou mesmo um conhecedor desse fato pela internet, motor de arranque para a luta por mais segurança viária.
 

Fortaleza, é inegável, vem desde 2013 transformando-se em metrópole referência para o deslocamento por modos ativos. 

 

Corredores exclusivos de ônibus, instalação de faixas de pedestres em novos formatos, disponibilidade de bicicletas ao público, implantação de malha cicloviária, por exemplo, fazem da Capital referência no Nordeste. Pelas críticas positivas, vê-se, inclusive, que até mesmo em outras regiões brasileiras. As iniciativas, entretanto, não terão êxito caso medidas do poder público não despertem para a consciência cidadã. Placas que acompanham bicicletas dão o recado: 

 

“Sua pressa não vale a minha vida” e “Respeite os menores no trânsito” resumem bem raciocínios não veiculados na TV, na web, nos outdoors.
 

Penso que mudar a estrutura de tráfego da(s) cidade(s) renderá sim bons frutos. Meu raciocínio, porém, permite-me ir além dessa ideia e trazer a reflexão de que a educação da população por meio da conscientização é que, de fato, é potencial e real modificadora de uma cultura e mentalidade carrocratas, onde a pirâmide invertida do “o maior é quem manda” sobressai-se e continua ceifando sonhos, histórias e – poxa - vidas.

 

Kelly Hekally
kellyhekallylo@gmail.com
Jornalista do O POVO

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