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Editorial. O novo nem sempre vem

01:30 | 11/06/2018

Uma das lições extraídas da nova rodada de pesquisa de intenção de voto do Datafolha é que, ao menos na política, o novo nem sempre vem. Ou, se vem, talvez não chegue a tempo. A depender da sondagem divulgada ontem, as eleições presidenciais de 2018 devem ser decididas entre políticos experimentados, com trajetória consolidada e currículo variado. 

É o caso de Lula (ou alguém indicado por ele), do PT, Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB). A bons quatro meses da votação, são os nomes que surgem mais bem colocados na pesquisa, que mostra liderança do ex-capitão do Exército Jair Bolsonaro (PSL) na hipótese cada vez mais provável de o ex-presidente petista ser barrado pela Justiça Eleitoral.
 

Os demais, entre os quais se encontram empresários e políticos de primeira viagem cuja postulação é tentativa de capitalizar esse sentimento difuso de busca pela mudança após a Lava Jato, pulverizam-se entre zero e 1% das intenções.
 

O retrato da pesquisa parece frustrar essa parcela do eleitorado que esperava uma novidade desde os protestos de junho de 2013, passando pelo impeachment e chegando à paralisação dos caminhoneiros. De lá para cá, nenhuma liderança, à direita e à esquerda, demonstrou acúmulo de capital político. Não à toa o alto índice de brancos e nulos revelado pelo Datafolha – algo perto de 25% na pesquisa espontânea.

Até houve esse momento no qual um outsider atravessou fulgurante os céus de Brasília, mas foi passageiro e logo se extinguiu. Uma a uma, as estrelas foram sucessivamente se apagando na corrida eleitoral.

Primeiro, o apresentador de TV Luciano Huck, que negou por duas vezes que seria pré-candidato ao Planalto. Depois, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, cuja filiação ao PSB provocou certa comoção no xadrez político e causou um rearranjo nas alianças antes que ele mesmo cuidasse em dizer que não entraria na peleja.
 

Sem um nome de fora da política, restaram os políticos de fato. Ex-governadores (Alckmin e Ciro) e ex-candidatos (Marina e Lula) que agora disputam a preferência de um eleitorado que anda “pistola”, para usar uma gíria do momento. 


O lado bom é que não há chances de um aventureiro tirar proveito desse sentimento de desalento do eleitor, que é real e está precificado no Datafolha no significativo contingente de eleitores que ainda não sabem em quem votar.
 

O ruim é que, mais uma vez, o establishment mostra-se imune à oxigenação e à formação de novos atores no cenário.

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